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  1. Guia Gastronômico das Favelas do Rio

    domingo, 30 de junho de 2013

    Título: Guia Gastronômico das Favelas do Rio
    Concepção e edição: Sérgio Bloch
    Textos: Ines Garçoni
    Fotos: Marcos Pinto
    Editora: Arte Ensaio
    Número de páginas: 170
    Ano de publicação: 2013
    ***

    A ideia para o inusitado Guia Gastronômico das Favelas do Rio surgiu há alguns anos, quando o diretor Sérgio Bloch realizava filmagens para um documentário em algumas favelas recém-pacificadas do Rio de Janeiro. Ele e sua equipe gastavam muito tempo na hora do almoço, pois saíam das favelas para fazer as refeições, então começaram a procurar restaurantes nas próprias comunidades.


    Para o livro foram selecionados 22 estabelecimentos gastronômicos de oito favelas (Morro da Providência, Santa Marta, Tabajaras, Chapéu Mangueira/Babilônia, Vidigal, Rocinha, Morro dos Prazeres e Complexo do Alemão), sendo que um dos critérios adotados para a seleção foi que os donos tivessem histórias interessantes para contar, além de as comidas serem boas - pelas fotos, todas dão água na boca!

    Na abertura dos capítulos há um resumo histórico da favela onde os estabelecimentos a ser apresentados estão localizados. No histórico do Morro da Providência, no centro do Rio, por exemplo, ficamos sabendo que a demolição de cortiços naquela região, devido à política higienista ocorrida em 1893 (cortiços foram demolidos a fim de combater doenças), fez com que moradores buscassem alternativas de moradia nas encostas. E, em 1897, aos ex-moradores dos cortiços se juntaram soldados que haviam voltado da Guerra de Canudos - a quem o governo havia prometido moradia caso ganhassem a guerra (promessa que não foi cumprida). Foi nessa época que surgiu a designação "favela", em referência à semelhança do tal morro a um morro próximo de Canudos chamado Favela, base dos soldados durante a guerra.

     Versão em inglês sobre o Morro da Providência no final do livro

    Também achei interessante o fato de a Rocinha (Zona Sul), favela mais populosa do Rio, já ter sido, de fato, uma "rocinha" nos anos 1930. Ali eram plantadas hortaliças, aipim, abóbora, bananeiras e outros alimentos e também se criava animais.
    Depois do breve histórico de cada comunidade, surgem histórias de empreendedorismo e criatividade de personagens interessantes e carismáticos, como a de Glimário, que saiu do Recife, arranjou um emprego em um restaurante no Rio e, depois de dezessete anos, abriu um restaurante na Rocinha, onde serve carnes de vários animais "exóticos", entre outras, de javali, capivara, avestruz, rã, jacaré e coelho.



    Tem também a Adriana, a "moça da empadinha", que parodia e canta letras de funk enquanto anuncia suas empadas. Ela até participou (como ela mesma) da novela Salve Jorge, ambientada no Complexo do Alemão - aliás, o "alemão" que deu nome à comunidade, na verdade, era um polonês que chegou ao Rio fugindo da Primeira Guerra Mundial nos anos 1920, Leonard Kaczmarkiewicz.

    Além de carnes exóticas e empadinha, o Guia também indica onde encontrar batida de Halls, feijoada, comida japonesa, comida nordestina, cachorro-quente, tapioca, açaí, frango no bafo, sanduíches e pizzarias.

    Na Pizzaria Elite, na comunidade Tabajaras, na Zona Sul, o cearense Antonio Claudio e a esposa, Arlete, servem 50 sabores de pizza com nomes de países, que foram escolhidos aleatoriamente. A massa é fina e crocante e ele diz que tem um segredo para fazê-la, mas não o revela, é claro.


    Já Silvania serve 35 tipos de pizza no Complexo do Alemão e diz que a mais pedida é a Carioquinha (presunto, calabresa, bacon, cebola e orégano). Apesar de servir refeições no almoço e no jantar, como pratos feitos com mocotó, frango assado e grelhado, nhoque à bolonhesa, e vender pães com recheios diversos, e de seu restaurante se chamar "Silvania Bolos", a preferência da maior parte do público é mesmo pelas pizzas.


    O livro tem capa dura, fotos muito boas, além de um ótimo projeto gráfico. Esse livro para mim foi uma descoberta e uma grata surpresa. Deu vontade de provar a comida de todos os lugares indicados.

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    Pizza vegetariana e pizza de chocolate, morango e kiwi
    com massa caseira


    Acredita-se que a história da pizza começou com os fenícios, três séculos antes de Cristo, quando eles acrescentavam uma cobertura de carne e cebola ao pão, parecido com o pão sírio (redondo e achatado). Os turcos também adotaram o alimento, mas preferiam a cobertura com carne de carneiro e iogurte. Durante as Cruzadas, no século XI, o pão turco foi levado para o porto de Nápoles, na Itália, onde a receita foi aperfeiçoada até chegar à forma como a conhecemos e chegou ao Brasil graças a imigrantes italianos. [Obrigada, italianos, por essa comida maravilhosa!]
    Uma curiosidade: o Dia da Pizza é comemorado no dia 10 de julho.

    A receita da massa abaixo é da minha mãe e a medida dá para uma pizza grande uma pequena. Para duas pizzas grandes, o ideal é fazer uma receita e meia.

    Ingredientes para massa:
    25g de fermento biológico (em tablete ou em pó)
    300g de farinha de trigo
    1/2 xícara (chá) de óleo
    1/2 xícara (chá) de leite morno
    1 ovo
    sal (a gosto)

    Modo de preparo:
    Dissolva o fermento no leite e misture o restante dos ingredientes. Deixe a massa descansar por 15 minutos. 
    Depois de descansar, a massa dobra de tamanho!
    Abra a massa do tamanho da assadeira. Unte a assadeira com um pouquinho de óleo. 
    Pode-se forrar a mesa para que ela não fique engordurada...



    Coloque a massa na forma, fure com garfo e leve para assar em forno pré-aquecido. Quando estiver assada (aproximadamente 20 minutos), cubra com a cobertura de sua preferência.
     
    Ingredientes para cobertura salgada (vegetariana):
    Molho de tomate:
    Pode-se usar molho pronto ou (o melhor) preparar o molho batendo 2 tomates e um pouco de água no liquidificador e depois levar ao fogo, acrescentando um pouco de sal, açúcar, orégano e manjericão. Ou, ainda, pode-se fazer o molho fresco e depois acrescentar um pouco de molho pronto para dar um pouco mais de cor (dessa vez, usei a terceira opção).
     Demais ingredientes:


    250g de brócolis cozido e refogado
    2 dentes de alho
    1/2 cebola
    1 vidro de palmito
    1 vidro pequeno de champignon
    4 ovos cozidos
    azeitonas picadas a gosto
    100g de queijo mussarela

    Modo de preparo:
    Frite o alho, acrescente a cebola e refogue o brócolis (previamente cozido). Acrescente o palmito, o champignon e as azeitonas picados e, por último, o ovo também picado. Acrescente sal e outros temperos a gosto.
    Cubra a massa (previamente assada) com o molho, coloque as fatias de queijo mussarela e, depois, os demais ingredientes.


    Deixe assar por aproximadamente 15 minutos.

    Ingredientes para cobertura doce (chocolate, morango e kiwi):
    1 barra (200g) de chocolate ao leite ou meio amargo
    1/2 lata de creme de leite
    1/2 caixa de morangos
    2 kiwis

    Modo de preparo:
    Pique/rale a barra de chocolate e leve ao banho-maria até derreter.


    Acrescente meia lata de creme de leite e mexa até obter uma consistência cremosa e homogênea.

    Cubra a massa com o creme de chocolate e depois acrescente o morango e o kiwi picados.


    Deixe assar por aproximadamente 15 minutos.
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