Rss Feed
  1. Gula, de John Lanchester

    sexta-feira, 28 de agosto de 2015


    Título: Gula
    Título original: The debt to pleasure
    Autor: John Lanchester
    Tradutora: Vera Pedrosa
    Editora: Companhia das Letras
    Número de páginas: 221
    Ano de publicação no Brasil: 1996

    ***

    [coming soon!]
    |


  2. Deliciosas comidas de rua, quem vai querer?

    sexta-feira, 31 de julho de 2015


    Título: Comida de Rua - O melhor da baixa gastronomia paulistana
    Autora: Bianca Paulino Chaer
    Editora: Editora Alaúde
    Número de páginas: 248
    Ano de publicação: 2015

    ***
    Este guia é maravilhoso de ler e dá água na boca!

    A autora, que se define como "jornalista e comilona" (verdade, está na segunda orelha do livro), tem um texto delicioso, que fica ainda melhor com as muitas fotos coloridas que o livro traz.

    Este guia é baseado no gosto da Bianca (autora), como ela explica no início do livro, e não inclui todas as melhores comidas de rua de São Paulo, o que imagino ser impossível de catalogar - até porque cada um tem seu gosto...

    "Não pretendo classificar ou escolher os melhores produtos nem dar o aval de que tudo que foi retratado nestas páginas vai agradar aos paladares mais sensíveis e aos estômagos mais delicados. O que fiz foi apenas uma curadoria, uma seleção do que recomendaria aos amigos mais queridos. Todas as indicações neste livro foram escolhas próprias. Realizei ao menos uma visita anônima, para avaliar a comida. Incluí doces e salgados que comi até dizer chega."

    Dos quase 40 locais com comidas de rua do guia, só provei as massas do Rolando Massinha, quando a kombi ainda ficava no estacionamento da loja Volkswagen na Av. Sumaré, e os Doces de Obeny e Maria Emília, na praça Benedito Calixto, e gostei MUITO dos dois.

    No guia tem de tudo: acarajé, hambúrguer, doces, picolés, pizza, pastel, espetinho, guioza, waffle, comida asiática, tapioca, sanduíche de pernil, cachorro-quente, salteña...

    Gostaria de experimentar tudo que foi indicado, vamos ver se consigo! =)

    Além de apresentar os food trucks ou barracas que oferecem comida de rua e falar obre os pratos servidos, a Bianca conta um pouco da história das pessoas por trás de todas as delícias servidas. 

    Tem, por exemplo, a história da Laila, libanesa radicada no Brasil, que, depois de tentar ganhar a vida dando aulas de inglês, modelando vestidos de noiva e pintando quadros, passou a vender quibes e esfirras pelo bairro onde morava para sobreviver. Depois, com a ajuda de R$ 2 mil dados por uma vizinha, ela comprou uma barraca e ingredientes para começar a vender suas comidas. Aos poucos, foi conquistando freguesia e hoje em dia sua barraca vai muito bem.

    Tem também a história da paraense Vângela Velozo, que vende comida de sua terra na Embaixada Paraense II, na praça Benedito Calixto. A família toca o restaurante Embaixada Paraense I em Fortaleza e Vângela toca a "filial" do negócio aqui em São Paulo. De dois em dois meses, Vângela vai até Belém para selecionar os ingredientes que vai usar em seus pratos e depois despacha tudo por avião. Fiquei com vontade de provar tucupi (caldo de mandioca com goma de mandioca e camarões secos), bolinho Ver-o-Peso (pela foto parece um bolinho caipira, mas é recheado com queijo gouda e jambu) e maniçoba com arroz paraense (maniçoba, chamada de "feijoada paraense", é feita com carne de porco e folha de maniva; o arroz leva jambu, tucupi e camarão).

    E há várias outras histórias curiosas de pessoas que trocaram suas profissões para se dedicar à cozinha. Vale a pena ler as histórias de vida e também sobre os quitutes e depois se aventurar em busca dos food trucks e barracas!

    Inspirada pela leitura desse guia, fiz a minha versão de X-buguer: pão de mandioquinha + hambúrguer caseiro + maionese caseira (sempre quis aprender a fazer!) + queijo + alface + tomate. Gostei do resultado e hoje serão três receitas bastante simples!

    ***

    X-BURGUER CASEIRO COM PÃO DE MANDIOQUINHA

    Pão de mandioquinha

    Ingredientes:
    500 g de mandioquinha cozida e espremida
    2 colheres (sopa) de açúcar
    2 tabletes de fermento para pão (30 g)
    200 ml de leite morno
    3 ovos inteiros
    100 g de margarina
    1 colher (sopa) rasa de sal
    farinha de trigo até dar o ponto (até a massa soltar das mãos)

    Modo de preparo:
    Misturar bem todos os ingredientes e ir acrescentando farinha até a massa desgrudar das mãos. [Como eu quis passar uma gema de ovo sobre os pães para eles ficarem mais bonitos, acabei usando duas gemas e três claras na massa.] 



    Depois, cobrir com um pano de prato e deixar descansando por cerca de 30 minutos.


    Depois de 30 minutos, a massa cresce e fica assim:


    Untar (usei óleo, passado com guardanapo) e enfarinhar a fôrma. Dar formato de pães de hambúguer à massa, deixar descansando por mais cerca de 30 minutos. Depois, pincelar uma gema de ovo sobre os pães e colocar em forno preaquecido.


    Deixei no forno médio por cerca de 40 minutos e eles ficaram assim:


    ***
    Maionese caseira*
    [fiz o dobro da receita]

    Ingredientes:
    1 ovo cru
    1 ovo cozido
    alho (o ideal é desidratado, em pó, se não tiver, usar 2 dentes de alho - usei 2 dentes de alho)
    1 colher (café) de mostarda
    6 gotas de limão
    sal e pimenta-do-reino a gosto
    óleo para dar o ponto
    azeite a gosto
    * se preferir uma maionese verde, acrescentar 1 xícara (chá) de cheiro-verde picado


    Modo de preparo:
    No liquidificador ou mixer, colocar os ovos (1 cru e 1 cozido), as gotas de limão, o sal e a pimenta. Bater em potência máxima.
    Aos poucos, acrescentar o óleo e o azeite e bater até adquirir a consistência ideal. É importante que eles sejam despejados bem devagar, com um fio fino e constante.
    Quando estiver no ponto [fui provando para testar a consistência], acrescentar o cheiro-verde (se for usar), a mostarda e o alho.


    ***

    Hambúrguer caseiro

    Ingredientes:
    500 g de carne moída [usei acém]
    1 ovo inteiro
    tempero a gosto ou 1/2 pacote de creme/sopa de cebola
    [usei um pouco de vinho tinto, tempero pronto Etti, alho amassado e um pouco de cebola picadinha; deixei temperando de um dia para o outro na geladeira para pegar mais o gosto]

    Modo de preparo:
    Misturar o ovo à carne moída temperada até a massa ficar homogênea. Moldar os hambúrgueres e levar à frigideira com um pouco de óleo.


    ***

    Depois, é só montar o X-burguer, escolher uma bebida gostosa e #partiuserfeliz! :)


    |


  3. Todos nós adorávamos caubóis

    terça-feira, 30 de junho de 2015


    Título: Todos nós adorávamos caubóis
    Autora: Carol Bensimon
    Editora: Companhia das Letras
    Número de páginas: 192
    Ano de publicação: 2013

    ***

    Desculpem pelo hiato! O restaurante literário está reaberto e tentarei acrescentar um livro novo e um prato diferente ao menu uma vez por mês como antes.

    Para marcar o retorno, vou escrever sobre este livro da Carol Bensimon que li recentemente e do qual gostei bastante. Foi o segundo livro dela que li, sendo que o primeiro foi Sinuca embaixo d'água, recomendado por um amigo, de que não gostei tanto.

    Carol Bensimon (foto daqui). 
    [Gosto dessa foto porque tem o parque colorido ao fundo...]

    Apesar do título, a história não tem nada a ver com caubóis. E só descobrimos a razão do título bem no finalzinho do livro.

    A história, na verdade, é sobre duas garotas, Cora e Julia, e uma viagem que elas fazem pelo interior do Rio Grande do Sul, enquanto tentam resolver questões pessoais e retomar a amizade que tinham ou o amor que sentiam ou ainda sentem uma pela outra. [Deveria existir um gênero literário chamado road book, não?] E acompanhamos a trajetória das duas através do olhar de Cora, pois é ela quem narra os acontecimentos presentes e passados (por meio de flashbacks).

    Enquanto lia, lembrei de três road movies em que duas mulheres viajam sozinhas: o clássico "Thelma e Louise" (na página 119, Cora até comenta que ela e Julia ficaram conversando sobre o final desse filme), "Simplesmente uma mulher" (este) e "A viagem" (este). Nesses três filmes as mulheres também estão, de uma forma ou de outra, fugindo de conflitos internos e externos e partem em viagem talvez na tentativa de achar respostas ou de encontrarem a si próprias.

    Cora e Julia eram amigas desde os tempos de faculdade e a amizade delas era ambígua. Quando Cora percebe que está se apaixonando por Julia, Julia parte para um intercâmbio no Canadá. Pouco tempo depois, Cora vai estudar moda em Paris. As duas se separam de uma fora meio brusca e só vão retomar contato anos depois e decidem fazer a viagem que planejavam descompromissadamente quando estavam na faculdade, em Porto Alegre.

    Na realidade, o pai de Cora envia a passagem para que ela volte a Porto Alegre por um tempo, pois seu meio-irmão (filho do pai dela e da nova esposa do pai) vai nascer e ele queria que ela estivesse presente nesse momento. No entanto, em vez de ficar com a família, Cora viaja com Julia. Aliás, ela topa voltar a Porto Alegre, pois havia conversado com Julia e sabia que a amiga estaria por lá também.

    Juntas elas passam por Antônio Prado, São Marcos, São Jorge da Mulada, São Francisco de Paula, Cambará do Sul, Pântano Grande, Caçapava do Sul (Pedra do Segredo), Minas do Camaquã, Bagé e Soledade (cidade natal de Julia), onde interagem com outros personagens no mínimo curiosos, e, por fim, Cora termina em Porto Alegre, decidida a passar o restante do tempo com a família.

    No fim da viagem, as duas garotas já são pessoas diferentes, assim como, de certa forma, também voltamos transformados de alguma forma depois de alguma viagem, não importa para onde.

    No fim do ano passado também fui viajar de carro pelo sul - Paraná (Curitiba), Santa Catarina (Laguna) e Rio Grande do Sul (Garibaldi, Gramado, Bento Gonçalves e Porto Alegre) - e me identifiquei com várias paisagens e personagens descritos neste livro, só senti falta das comidas! Para mim, a viagem por essas cidades foi bastante gastronômica. Li em algum site que o Jorge Amado costumava dizer que sempre colocava comida em seus livros, pois os personagens precisavam se alimentar para estar vivos - e imagino que ele também inseria vários pratos porque gostava de comer bem.

    Apesar de não haver nenhum prato citado no livro, depois de lê-lo, me inspirei para fazer talharim com salmão e alho-poró, que foi um dos melhores pratos de massa que já comi na vida no restaurante CasaCurta, em Garibaldi. Claro que não ficou igual, mas fiquei satisfeita com o sabor.

    ***
    TALHARIM COM SALMÃO E ALHO-PORÓ

    Ingredientes:
    1 pacote de macarrão talharim [usei massa fresca]
    350 g de salmão fresco
    1 talo de alho-poró cortado em rodelas finas
    1 colher (sopa) de manteiga 
    1 xícara (chá) de leite
    1 colher (sopa) de maisena (amido de milho)
    150 ml de creme de leite fresco
    1/2 cebola pequena picada
    suco de 1 limão
    pimenta-do-reino e sal a gosto



    Modo de preparo:

    Corte o salmão em cubos, tirando a pele. Tempere com o suco de limão e deixe descansar por cerca de 15 minutos.

    Enquanto isso, cozinhe o talharim. Se a massa for fresca, preste atenção ao tempo de cozimento para que não passe do ponto. A massa fresca cozinha muito mais rápido que a massa desidratada. 

    Refogue a cebola e o alho-poró picados na manteiga.



    Acrescente o salmão em cubos, o sal e a pimenta-do-reino a gosto e mexa, desfazendo o salmão.



    Misture o amido de milho à xícara de leite até diluir e despeje na panela, mexendo sempre, até engrossar.

    Por último, acrescente o creme de leite fresco e misture até o molho ficar homogêneo.


    Escorra o talharim, coloque uma porção no prato e cubra com o molho. Se preferir, coloque um pouco de salsinha picada e queijo ralado ao servir.

    O resultado final é este:


    Buon appetito! :)

    |


  4. O rocambole, de Davi Arrigucci Jr.

    quinta-feira, 31 de julho de 2014


    Título: O rocambole
    Autor: Davi Arrigucci Jr.
    Ilustrador:  Paulo Pasta
    Editora: Cosac Naify
    Número de páginas: 120
    Ano de publicação: 2005

    ***

    Vou ser franca e direta: não gostei desse livro. Apesar disso, eu o li duas vezes. Explico: quando terminei de ler, não tive tempo nem vontade de escrever sobre ele, então se passaram meses e eu lembrava apenas vagamente da história (lembrava que tinha um rocambole gostoso :). Por isso precisei ler de novo.

    Rocambole me lembrou de algo que um livreiro comentou uma vez: que os livros da editora Cosac Naify tinham uma "embalagem" muito bonita para disfarçar a falta de conteúdo ou a qualidade questionável do texto. Ainda não consigo concluir o quanto disso é verdade, mas, por enquanto, tenho essa impressão quando leio livros de autores nacionais dessa editora. Os livros traduzidos (pelo menos os que li até o momento), em geral, conseguem combinar um belo projeto gráfico e um bom conteúdo.

    No caso de Rocambole, fiquei bastante frustrada. O projeto gráfico é bonito, a qualidade da impressão e do papel é boa, as pinturas do Paulo Pasta que ilustram a história são bonitas (apesar de a pintura da capa parecer mais um sushi e não um rocambole), só que a história não ajuda.


    A princípio, o enredo parece bastante interessante: Mariana, ex-namorada de Lourenço, vai morar no "casarão dos Heyst" com Dona Leontina, que seria sua sogra, Dona Helga, irmã mais nova de Dona Leontina, e Josefina, a empregada, depois que Lourenço se suicida. É uma situação curiosa, pois Dona Leontina era contra o casamento do filho com Mariana. Apesar desse início instigante ("por que Mariana aceitou morar na casa de Dona Leontina?", "por que Lourenço se matou?", "por que Dona Leontina convidou Mariana para morar no casarão se não gostava dela e não queria que ela se casasse com o filho?", "como era o relacionamento dos dois antes da tragédia?" etc.), tive a impressão de que a história se perde e o autor não consegue aprofundar nenhum personagem.


    No capítulo 3, somos introduzidos a Spacca, um garoto que gostava de passarinhos e de teatro; ele é descendente de italianos e morava com os pais ao lado do casarão dos Heyst (Dona Leontina era viúva de um alemão com esse sobrenome). No capítulo 4, a história de Spacca e seu grupo de amigos é narrada em primeira pessoa por um narrador não identificado, provavelmente um dos amigos de Spacca. Já que o narrador não se identifica e não tem importância relevante na trama, para mim não fez sentido essa mudança de narrador. Esse capítulo, aliás, é o mais tedioso do livro e parece interminável. No capítulo 5, a narração volta para terceira pessoa e ficamos sabendo que Spacca tem uma queda por Mariana e fica tentando espioná-la.


    Uma das partes legais que remete ao título é o fato de Dona Helga e Josefina gostarem de cozinhar e fazem isso em uma cozinha instalada em um tipo de porão do casarão, pois ali Dona Leontina (aparentemente uma velha chata e ranzinza) não pisava. E dali saíam muitas delícias preparadas pelas duas mulheres, incluindo goiabada e rocambole.


    Dona Fiammetta, mãe de Spacca, gostava muito do rocambole feito pelas vizinhas e um dia Mariana foi levar o doce pessoalmente, para o encanto de Dona Fiammetta.

    O rocambole tinha ficado pronto ainda de manhã e era dos mais bonitos que fizera; modéstia à parte, uma obra-prima, pois não resistira e provara, uma fatiazinha de nada, da pontinha que não se notava, pois também recortou um pedacinho do lado oposto, para não dar na vista. Também, com todo aquele recheio, feito só de goiabas madurinhas e firmes de tão sadias, dava gosto de ver. A goiabada estava mesmo um primor quando foi fazer o recheio [...]
    Dispôs o rolo bem enroladinho numa travessa portuguesa branca toda branca, polvilhou-o por cima com açúcar de confeiteiro e marcou-o a ferro em brasa com várias listras pretas no lombo. Era de fato um bichão, ali deitado. Dona Fiammetta ia apreciar tudo, pois notava como ela tinha bom gosto e sabia reconhecer um trabalho bem-feito. Embrulhou-o, por fim, em papel-manteiga e deixou-o à espera de Mariana, que ia fazer a visita de tarde pela hora do café, como uma surpresa para a vizinha.

    [SPOILER!]

    O fim é insosso: Mariana se desentende com Dona Leontina (que provavelmente deduziu que ela estava de olho no vizinho, Spacca) e vai embora para a casa de uma parente distante que morava em Poços de Caldas, Minas Gerais. Alguns meses depois, Spacca também deixa a casa da mãe, que morre de saudades dele. Fim.


    Alguns leitores podem alegar que o romance não tinha muitas pretensões além de mostrar as diferenças culturais entre imigrantes alemães, imigrantes italianos e brasileiros. Tudo bem, mas os personagens não precisavam ser tão rasos.

    Não vejo esse livro como algo marcante de nossa literatura e imagino que não ficará para a posteridade.

    Apesar de ter me frustrado com a leitura, ela me inspirou a fazer geleia de goiaba e rocambole pela primeira vez. Gosto muito das duas coisas e não sabia que era tão simples de fazer.

    ***

    ROCAMBOLE COM GELEIA DE GOIABA

    Geleia de goiaba

    Ingredientes:
    2 goiabas grandes [usei 4 goiabas porque queria que sobrasse geleia]
    4 colheres (sopa) de açúcar (ou adoce a gosto)
    um pouco de água

    Modo de preparo:
    Descasque as goiabas, pique-as e bata no liquidificador com um pouco de água. Coe sobre uma panela, acrescente o açúcar e cozinhe em fogo médio, mexendo sempre. 


     Depois de uns 30 minutos, a mistura atinge o ponto de geleia. Tire do fogo e reserve.


    Obs.: Como alternativa a esta geleia, é possível usar goiabada industrializada. Basta picar cerca de 3/4 de xícara (chá) de goiabada em uma vasilha que pode ir ao micro-ondas, acrescentar um pouco de água e aquecer por 1 minuto. Misture e aqueça por mais 40 segundos para que os pedaços de goiabada se desfaçam completamente. Se for usar goiabada industrializada, diminua a quantidade de açúcar na massa, pois esse tipo de goiabada normalmente é MUITO doce.

    Massa*

    Ingredientes:
    3 claras em neve 
    3 gemas
    1/2 xícara (chá) de água
    1 xícara (chá) de açúcar
    1 xícara (chá) de farinha de trigo
    1 colher (chá) de fermento em pó

    * fiz 2/3 desta receita e usei uma fôrma de 21x30 cm.

    Modo de preparo:
    Bata as clara em neve, acrescente as gemas.


    Depois, acrescente a água, o açúcar, a farinha (peneirei o açúcar e a farinha para evitar empelotamento) e, por último, o fermento.


    Coloque a massa em uma fôrma untada (usei uma fôrma 21x30 cm) e leve ao forno preaquecido.


    Quando a parte de cima estiver dourada, espete um palito de dente para verificar se a massa está completamente assada. (Se o palito sair seco, o pão de ló está pronto.)


    Assim que tirar do forno, desenforme sobre um pano de prato umedecido e polvilhado com açúcar. Espalhe a geleia de goiaba (ou outro recheio de sua preferência) e enrole.



    Meu rocambole ficou assim:


    :)

    O restante da geleia comi com bolachas e torradas. É uma delícia!

    |


  5. Dona Flor e seus dois maridos e a culinária baiana

    segunda-feira, 30 de junho de 2014


    Título: Dona Flor e seus dois maridos
    Autor: Jorge Amado
    Editora: Cia. das Letras
    Número de páginas: 486
    Ano de publicação: 2008

    ***

    [coming soon!]

    |


  6. Na Prisão - disciplina e comida no Japão

    sábado, 31 de maio de 2014

    [sobrecapa]

    Título: Na Prisão
    Título original: Keimusho no naka
    Autor e quadrinista: Kazuichi Hanawa
    Tradutora: Drik Sada
    Editora: Conrad
    Número de páginas: 248
    Ano de publicação no Brasil: 2005

    ***

    Nesse relato autobiográfico, Kazuichi Hanawa, quadrinista underground japonês, relata o dia a dia surpreendente em uma prisão japonesa.

     [capa]

    Em 1994, Hanawa foi preso por porte ilegal de arma, sendo condenado à prisão em regime fechado em uma penitenciária de Hokkaido (norte do Japão), onde permaneceu por três anos.

    Eu já havia lido sobre instituições japonesas para menores infratores, sobre a rigidez com que são tratados e a disciplina que precisam ter durante sua passagem por lá. Lembro que uma das coisas que me impressionou sobre essas instituições foi que os jovens precisam manter um diário, onde escrevem sobre o dia a dia e também é uma oportunidade de refletirem sobre suas próprias vidas.

    Ao contrário do que acontece nas instituições para menores infratores, nas prisões japonesas não é obrigatório manter um diário (e talvez nem permitido) e, pelo que o crítico literário Tomohide Kure escreveu no préfácio, nem era permitido que os presos desenhassem - portanto, os desenhos e relatos de Hanawa foram escritos e desenhados posteriormente, de memória.

     [clique na foto para ampliar]

    Um dos aspectos mais interessantes dessa HQ é a comida. Quando pensamos em comida em prisões, logo imaginamos uma "lavagem" servida de qualquer jeito àqueles que, por seus crimes, talvez não mereçam nada de bom, incluindo uma refeição digna (e até o autor chega a comentar algo nesse sentido). No entanto, a comida servida na prisão onde Hanawa ficou era incrivelmente apetitosa e bem preparada, o que dava muito prazer aos prisioneiros.


    Será que é justo viver tão bem depois de ter cometido um crime?

    As descrições sobre o cardápio e as refeições são constantes ao longo da HQ, e os pratos descritos (preparados e distribuídos pelos próprios presos designados) são de dar água na boca.



     No último dia do ano, é servida uma refeição muito farta e especial:


    E no almoço do dia 1º de janeiro (Ano-Novo, uma data muito significativa para os japoneses), os presos também recebem uma refeição caprichada:


    Apesar de se tratar de criminosos, eles são tratados com dignidade - têm refeições dignas e as celas são ambientes também dignos (não são depósitos de seres humanos como acontece no Brasil, por exemplo), que eles próprios são obrigados a manter limpos e organizados.


    Outra coisa que chama muito a atenção é a disciplina cobrada dos presos. Todos são obrigados a se comportar bem, a trabalhar, a limpar e organizar suas próprias coisas; para praticamente tudo, é preciso pedir permissão para um guarda (como para ir ao banheiro ou pegar um objeto que o preso deixou cair durante a jornada de trabalho), e também não é permitido que os presos conversem entre si na maior parte do tempo.

     

    Imagino que seja mais difícil haver corrupção e sistemas de "proteção" dentro do sistema carcerário japonês se comparado com o sistema brasileiro. Devem existir pessoas corruptas, é claro, como em todo lugar, mas o próprio presídio parece não dar muitas brechas para isso, pois todos os presos são tratados de forma igualitária, usam o mesmo tipo de uniforme e recebem quantidades iguais de comida (sendo estas diferenciadas apenas quando os presos exercem trabalhos mais braçais e têm direito a um pouco mais de comida). Aparentemente, o sistema carcerário funciona bem, pois tudo é muito organizado e "justo".


    Acima, uma cena que ilustra a que ponto chega a organização dentro do sistema carcerário japonês: durante a jornada de trabalho, o preso, depois de autorizado a ir ao banheiro, pega uma placa de madeira vermelha (indicando que ele vai fazer cocô) ou preta (indicando que vai fazer xixi).

    É uma leitura que vale muito a pena.

    Agradeço à Lana pela indicação de leitura.

    ***

    Kare raisu ("Curry Rice")

    Kare raisu ["carê ráissu"] é um cozido de carne e legumes ao molho curry, servido com gohan (arroz branco japonês). É delicioso e bem fácil de fazer!


    Ingredientes:

    350 g de carne bovina cortada em tiras ou em cubos (pode ser alcatra ou coxão mole - nessa receita eu usei filé mignon, porque já vinha cortada em cubos e achei mais prático)
    150 g de vagem
    2 cenouras médias
    2 batatas médias
    2 mandioquinhas médias (na receita original não vai, mas eu gosto de usar)
    1 cebola média
    curry em tablete (serão usadas 3 partes)
    açúcar e sal a gosto
    maisena para engrossar
    um pouco de manteiga



    Modo de preparo:

    Picar a carne em cubos ou em tiras e temperar a gosto (costumo usar um pouco de vinho tinto e tempero de alho pronto ou vinho tinto e um pouco de sal e Aji-no-moto). 

    Picar os vegetais em cubos e a cebola de forma irregular. Note que as batatas devem ser mantidas na água depois de cortadas, para não oxidar (não ficar escuras).

    Derreter a manteiga e fritar a cebola e, depois, adicionar a carne e fritar.


    Depois que a carne estiver frita, acrescentar os vegetais picados e água fervente até cobrir todos os ingredientes.


    Tampar a panela e deixar cozinhando até o vegetais ficarem macios.

    Depois disso, acrescentar três tabletes de curry e mexer até dissolver.


    Na foto acima não dá para ver, mas nesse pacote de curry, há cinco tabletes. Comprei o curry mais suave que existe dessa marca (Golden Curry), mas também há outros tipos, mais apimentados. O da caixinha verde (levemente apimentado) também é bom.


    Acrescentar um pouco de açúcar, caso goste de uma comida levemente adocicada. E um pouco de sal, caso necessário.

    Por último, dissolver uma colher de sopa de maisena em um pouco de água em temperatura ambiente, misturar e acrescentar aos outros ingredientes. Mexer até o caldo engrossar.

    Depois é só servir com arroz branco!



    |