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  1. Gula, de John Lanchester

    sexta-feira, 28 de agosto de 2015


    Título: Gula
    Título original: The debt to pleasure
    Autor: John Lanchester
    Tradutora: Vera Pedrosa
    Editora: Companhia das Letras
    Número de páginas: 221
    Ano de publicação no Brasil: 1996

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    [coming soon!]
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  2. Deliciosas comidas de rua, quem vai querer?

    sexta-feira, 31 de julho de 2015


    Título: Comida de Rua - O melhor da baixa gastronomia paulistana
    Autora: Bianca Paulino Chaer
    Editora: Editora Alaúde
    Número de páginas: 248
    Ano de publicação: 2015

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    Este guia é maravilhoso de ler e dá água na boca!

    A autora, que se define como "jornalista e comilona" (verdade, está na segunda orelha do livro), tem um texto delicioso, que fica ainda melhor com as muitas fotos coloridas que o livro traz.

    Este guia é baseado no gosto da Bianca (autora), como ela explica no início do livro, e não inclui todas as melhores comidas de rua de São Paulo, o que imagino ser impossível de catalogar - até porque cada um tem seu gosto...

    "Não pretendo classificar ou escolher os melhores produtos nem dar o aval de que tudo que foi retratado nestas páginas vai agradar aos paladares mais sensíveis e aos estômagos mais delicados. O que fiz foi apenas uma curadoria, uma seleção do que recomendaria aos amigos mais queridos. Todas as indicações neste livro foram escolhas próprias. Realizei ao menos uma visita anônima, para avaliar a comida. Incluí doces e salgados que comi até dizer chega."

    Dos quase 40 locais com comidas de rua do guia, só provei as massas do Rolando Massinha, quando a kombi ainda ficava no estacionamento da loja Volkswagen na Av. Sumaré, e os Doces de Obeny e Maria Emília, na praça Benedito Calixto, e gostei MUITO dos dois.

    No guia tem de tudo: acarajé, hambúrguer, doces, picolés, pizza, pastel, espetinho, guioza, waffle, comida asiática, tapioca, sanduíche de pernil, cachorro-quente, salteña...

    Gostaria de experimentar tudo que foi indicado, vamos ver se consigo! =)

    Além de apresentar os food trucks ou barracas que oferecem comida de rua e falar obre os pratos servidos, a Bianca conta um pouco da história das pessoas por trás de todas as delícias servidas. 

    Tem, por exemplo, a história da Laila, libanesa radicada no Brasil, que, depois de tentar ganhar a vida dando aulas de inglês, modelando vestidos de noiva e pintando quadros, passou a vender quibes e esfirras pelo bairro onde morava para sobreviver. Depois, com a ajuda de R$ 2 mil dados por uma vizinha, ela comprou uma barraca e ingredientes para começar a vender suas comidas. Aos poucos, foi conquistando freguesia e hoje em dia sua barraca vai muito bem.

    Tem também a história da paraense Vângela Velozo, que vende comida de sua terra na Embaixada Paraense II, na praça Benedito Calixto. A família toca o restaurante Embaixada Paraense I em Fortaleza e Vângela toca a "filial" do negócio aqui em São Paulo. De dois em dois meses, Vângela vai até Belém para selecionar os ingredientes que vai usar em seus pratos e depois despacha tudo por avião. Fiquei com vontade de provar tucupi (caldo de mandioca com goma de mandioca e camarões secos), bolinho Ver-o-Peso (pela foto parece um bolinho caipira, mas é recheado com queijo gouda e jambu) e maniçoba com arroz paraense (maniçoba, chamada de "feijoada paraense", é feita com carne de porco e folha de maniva; o arroz leva jambu, tucupi e camarão).

    E há várias outras histórias curiosas de pessoas que trocaram suas profissões para se dedicar à cozinha. Vale a pena ler as histórias de vida e também sobre os quitutes e depois se aventurar em busca dos food trucks e barracas!

    Inspirada pela leitura desse guia, fiz a minha versão de X-buguer: pão de mandioquinha + hambúrguer caseiro + maionese caseira (sempre quis aprender a fazer!) + queijo + alface + tomate. Gostei do resultado e hoje serão três receitas bastante simples!

    ***

    X-BURGUER CASEIRO COM PÃO DE MANDIOQUINHA

    Pão de mandioquinha

    Ingredientes:
    500 g de mandioquinha cozida e espremida
    2 colheres (sopa) de açúcar
    2 tabletes de fermento para pão (30 g)
    200 ml de leite morno
    3 ovos inteiros
    100 g de margarina
    1 colher (sopa) rasa de sal
    farinha de trigo até dar o ponto (até a massa soltar das mãos)

    Modo de preparo:
    Misturar bem todos os ingredientes e ir acrescentando farinha até a massa desgrudar das mãos. [Como eu quis passar uma gema de ovo sobre os pães para eles ficarem mais bonitos, acabei usando duas gemas e três claras na massa.] 



    Depois, cobrir com um pano de prato e deixar descansando por cerca de 30 minutos.


    Depois de 30 minutos, a massa cresce e fica assim:


    Untar (usei óleo, passado com guardanapo) e enfarinhar a fôrma. Dar formato de pães de hambúguer à massa, deixar descansando por mais cerca de 30 minutos. Depois, pincelar uma gema de ovo sobre os pães e colocar em forno preaquecido.


    Deixei no forno médio por cerca de 40 minutos e eles ficaram assim:


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    Maionese caseira*
    [fiz o dobro da receita]

    Ingredientes:
    1 ovo cru
    1 ovo cozido
    alho (o ideal é desidratado, em pó, se não tiver, usar 2 dentes de alho - usei 2 dentes de alho)
    1 colher (café) de mostarda
    6 gotas de limão
    sal e pimenta-do-reino a gosto
    óleo para dar o ponto
    azeite a gosto
    * se preferir uma maionese verde, acrescentar 1 xícara (chá) de cheiro-verde picado


    Modo de preparo:
    No liquidificador ou mixer, colocar os ovos (1 cru e 1 cozido), as gotas de limão, o sal e a pimenta. Bater em potência máxima.
    Aos poucos, acrescentar o óleo e o azeite e bater até adquirir a consistência ideal. É importante que eles sejam despejados bem devagar, com um fio fino e constante.
    Quando estiver no ponto [fui provando para testar a consistência], acrescentar o cheiro-verde (se for usar), a mostarda e o alho.


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    Hambúrguer caseiro

    Ingredientes:
    500 g de carne moída [usei acém]
    1 ovo inteiro
    tempero a gosto ou 1/2 pacote de creme/sopa de cebola
    [usei um pouco de vinho tinto, tempero pronto Etti, alho amassado e um pouco de cebola picadinha; deixei temperando de um dia para o outro na geladeira para pegar mais o gosto]

    Modo de preparo:
    Misturar o ovo à carne moída temperada até a massa ficar homogênea. Moldar os hambúrgueres e levar à frigideira com um pouco de óleo.


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    Depois, é só montar o X-burguer, escolher uma bebida gostosa e #partiuserfeliz! :)


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  3. Todos nós adorávamos caubóis

    terça-feira, 30 de junho de 2015


    Título: Todos nós adorávamos caubóis
    Autora: Carol Bensimon
    Editora: Companhia das Letras
    Número de páginas: 192
    Ano de publicação: 2013

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    Desculpem pelo hiato! O restaurante literário está reaberto e tentarei acrescentar um livro novo e um prato diferente ao menu uma vez por mês como antes.

    Para marcar o retorno, vou escrever sobre este livro da Carol Bensimon que li recentemente e do qual gostei bastante. Foi o segundo livro dela que li, sendo que o primeiro foi Sinuca embaixo d'água, recomendado por um amigo, de que não gostei tanto.

    Carol Bensimon (foto daqui). 
    [Gosto dessa foto porque tem o parque colorido ao fundo...]

    Apesar do título, a história não tem nada a ver com caubóis. E só descobrimos a razão do título bem no finalzinho do livro.

    A história, na verdade, é sobre duas garotas, Cora e Julia, e uma viagem que elas fazem pelo interior do Rio Grande do Sul, enquanto tentam resolver questões pessoais e retomar a amizade que tinham ou o amor que sentiam ou ainda sentem uma pela outra. [Deveria existir um gênero literário chamado road book, não?] E acompanhamos a trajetória das duas através do olhar de Cora, pois é ela quem narra os acontecimentos presentes e passados (por meio de flashbacks).

    Enquanto lia, lembrei de três road movies em que duas mulheres viajam sozinhas: o clássico "Thelma e Louise" (na página 119, Cora até comenta que ela e Julia ficaram conversando sobre o final desse filme), "Simplesmente uma mulher" (este) e "A viagem" (este). Nesses três filmes as mulheres também estão, de uma forma ou de outra, fugindo de conflitos internos e externos e partem em viagem talvez na tentativa de achar respostas ou de encontrarem a si próprias.

    Cora e Julia eram amigas desde os tempos de faculdade e a amizade delas era ambígua. Quando Cora percebe que está se apaixonando por Julia, Julia parte para um intercâmbio no Canadá. Pouco tempo depois, Cora vai estudar moda em Paris. As duas se separam de uma fora meio brusca e só vão retomar contato anos depois e decidem fazer a viagem que planejavam descompromissadamente quando estavam na faculdade, em Porto Alegre.

    Na realidade, o pai de Cora envia a passagem para que ela volte a Porto Alegre por um tempo, pois seu meio-irmão (filho do pai dela e da nova esposa do pai) vai nascer e ele queria que ela estivesse presente nesse momento. No entanto, em vez de ficar com a família, Cora viaja com Julia. Aliás, ela topa voltar a Porto Alegre, pois havia conversado com Julia e sabia que a amiga estaria por lá também.

    Juntas elas passam por Antônio Prado, São Marcos, São Jorge da Mulada, São Francisco de Paula, Cambará do Sul, Pântano Grande, Caçapava do Sul (Pedra do Segredo), Minas do Camaquã, Bagé e Soledade (cidade natal de Julia), onde interagem com outros personagens no mínimo curiosos, e, por fim, Cora termina em Porto Alegre, decidida a passar o restante do tempo com a família.

    No fim da viagem, as duas garotas já são pessoas diferentes, assim como, de certa forma, também voltamos transformados de alguma forma depois de alguma viagem, não importa para onde.

    No fim do ano passado também fui viajar de carro pelo sul - Paraná (Curitiba), Santa Catarina (Laguna) e Rio Grande do Sul (Garibaldi, Gramado, Bento Gonçalves e Porto Alegre) - e me identifiquei com várias paisagens e personagens descritos neste livro, só senti falta das comidas! Para mim, a viagem por essas cidades foi bastante gastronômica. Li em algum site que o Jorge Amado costumava dizer que sempre colocava comida em seus livros, pois os personagens precisavam se alimentar para estar vivos - e imagino que ele também inseria vários pratos porque gostava de comer bem.

    Apesar de não haver nenhum prato citado no livro, depois de lê-lo, me inspirei para fazer talharim com salmão e alho-poró, que foi um dos melhores pratos de massa que já comi na vida no restaurante CasaCurta, em Garibaldi. Claro que não ficou igual, mas fiquei satisfeita com o sabor.

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    TALHARIM COM SALMÃO E ALHO-PORÓ

    Ingredientes:
    1 pacote de macarrão talharim [usei massa fresca]
    350 g de salmão fresco
    1 talo de alho-poró cortado em rodelas finas
    1 colher (sopa) de manteiga 
    1 xícara (chá) de leite
    1 colher (sopa) de maisena (amido de milho)
    150 ml de creme de leite fresco
    1/2 cebola pequena picada
    suco de 1 limão
    pimenta-do-reino e sal a gosto



    Modo de preparo:

    Corte o salmão em cubos, tirando a pele. Tempere com o suco de limão e deixe descansar por cerca de 15 minutos.

    Enquanto isso, cozinhe o talharim. Se a massa for fresca, preste atenção ao tempo de cozimento para que não passe do ponto. A massa fresca cozinha muito mais rápido que a massa desidratada. 

    Refogue a cebola e o alho-poró picados na manteiga.



    Acrescente o salmão em cubos, o sal e a pimenta-do-reino a gosto e mexa, desfazendo o salmão.



    Misture o amido de milho à xícara de leite até diluir e despeje na panela, mexendo sempre, até engrossar.

    Por último, acrescente o creme de leite fresco e misture até o molho ficar homogêneo.


    Escorra o talharim, coloque uma porção no prato e cubra com o molho. Se preferir, coloque um pouco de salsinha picada e queijo ralado ao servir.

    O resultado final é este:


    Buon appetito! :)

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