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  1. Sob o sol da Toscana

    quinta-feira, 29 de agosto de 2013


    Título: Sob o sol da Toscana
    Título original: Under the Tuscan Sun - at Home in Italy
    Autora: Frances Mayes
    Tradutora: Waldéa Barcellos
    Editora: L&PM em acordo de parceria com a Rocco
    Número de páginas: 302
    Publicação no Brasil: agosto de 2008 / reimpressão de julho de 2012

    ***

    Há vários anos vi o filme Sob o sol da Toscana, lançado em 2003, e não gostei. Mas apenas recentemente me dei conta de que o filme era uma adaptação homônima do livro escrito pela americana Frances Mayes em 1997, soube que ela gosta muito de cozinhar e aprendeu a fazer vários pratos toscanos, o que não fica tão evidente no filme, então decidi ler o livro, porque livros, em geral, são melhores que as adaptações para o cinema.


    Apesar de o livro não seguir a linha "boba-romântica" do filme, também não achei nada de mais. Como meu nível de expectativa estava alto, fiquei um pouco decepcionada. Na verdade, o livro não tem história com começo, meio e fim, é um recorte autobiográfico da autora durante algumas temporadas na Itália, contando sobre o processo de compra e reforma de uma villa chamada Bramasole ("ansiar pelo sol"), em Cortona, na região da Toscana.

     Mapa da Itália destacando a região da Toscana (retirado daqui)


     Mapa com "zoom" na região da Toscana; Cortona à direita (mapa retirado daqui)

    No livro, Frances aparentemente já havia se divorciado e estava com um novo companheiro, Ed, que, como ela, na época também era professor universitário em São Francisco, nos Estados Unidos. (No filme, mais ou menos por um acaso do destino, ela vai para a Itália para se recuperar do divórcio e, talvez, encontrar um novo amor e um novo rumo para a própria vida.) Depois de uma certa dificuldade com a burocracia italiana, ela compra Bramasole e, como a casa tem cerca de duzentos anos, ela, Ed e vários pedreiros precisam reformá-la.

    Senti o impulso de examinar a minha vida numa outra cultura e ir além do que eu conhecia. Eu queria uma espécie de dimensão física que ocupasse o volume mental ocupado pelos anos da minha vida anterior.


     Frances Mayes

    Abaixo seguem algumas fotos de Bramasole, retiradas do site da autora:


    Existe uma vida nos lugares antigos, e nós sempre estamos de passagem.


    Talvez para quem já construiu ou reformou uma casa seja interessante o fato de a autora descrever todo o exaustivo e interminável trabalho com a reforma, além dos gastos, mas, para mim, essas partes eram as mais entediantes.

    Apreciei ler sobre várias comidas italianas que ela comia em restaurantes da região ou que ela mesma preparava. Por já ter sofrido com escassez de comida, a culinária toscana também é conhecida como "cucina povera" (culinária pobre) e, em geral, é composta por pratos simples, preparados com ingredientes frescos da época. Há muitas receitas com pães, como a bruschetta (fatias de pão com azeite e algum tipo de cobertura, como tomate picadinho e manjericão que vão ao forno - preparei bruschetta de escarola com queijo pecorino, feito com leite de ovelha, e ficaram boas!). Os trechos em que ela fazia comentários sobre a cultura italiana, em contraste com a cultura norte-americana, também me chamavam a atenção. Fiquei com a impressão de que os italianos, como os brasileiros, também têm um quê de malandragem e gostam de procedimentos burocráticos.

    Um detalhe interessante é que a autora inseriu vários termos em italiano ao longo do livro, mas depois vinha a tradução e/ou uma explicação. Para quem sabe ou estuda italiano, é legal, para quem não entende, talvez seja meio irritante. Além disso, o livro também traz algumas receitas de verão e outras de inverno. Inspirada pelo livro, decidi fazer a torta della nonna, porque, depois de descobrir que há pinoli (um tipo de minipinhão cujo pacotinho de 20g custa quase R$ 20 no Brasil!!) em seu terreno, a autora faz esse prato para o Signor Martini, corretor que cuidou dos trâmites da compra e reforma da casa e cuja mãe fazia essa torta para ele, mas não segui a receita que está no livro.

    De repente, diz que sua mãe morreu aos noventa e três anos de idade há alguns anos. - Nunca mais torta della nonna. - Está com um humor estranho hoje.

    Por último, gostaria de compartilhar esta passagem sobre lugares e pessoas:

    Os sulistas têm um gene, até o momento não detectado nas espirais do DNA, que faz com que acreditem que o lugar é o destino. Onde você está é quem você é. Quanto mais o lugar penetra em você, mais sua identidade fica entrelaçada com ele. Nunca fortuita, a escolha do lugar é a escolha de algo que a pessoa deseja ansiosamente.

    ***
     
    Torta della nonna

    "Um dos prazeres da culinária consiste em, de vez em quando, aprender tudo de novo." 


    Por causa do preço, pensei em substituir os pinoli por amêndoa ou castanha moída, mas queria que o prato fosse preparado da forma típica, então paguei quase R$ 20 nesse pacotinho de 20g no Pão de Açúcar:


    Achei que tem gosto de castanha-do-pará com azeite - gostei! Mas acredito que a substituição por amêndoa ou castanha moída também ficaria muito boa.
    A receita original está neste site italiano. Abaixo, a minha tradução/adaptação:

    Ingredientes:

    Massa:
    250 g de farinha
    120 g de açúcar
    100 g de manteiga
    1 ovo
    1 colher (café) de fermento em pó
    casca de limão ralada
    um pouco de sal

    Creme:
    250 ml de leite
    3 colheres (sopa) de açúcar
    1 1/2 colher (sopa) de farinha de trigo peneirada
    1 ovo pequeno
    casca de limão ralada

    Toque final:
    pinoli
    açúcar de confeiteiro

    Modo de preparo:
    Massa:
    Faça um "vulcão" com a farinha, corte a manteiga em pedaços pequenos. Com a ponta dos dedos, misture a farinha e a manteiga até obter um farelo granuloso.


    Depois, junte o açúcar, o fermento e misture tudo.

    A seguir, misture a casca de limão ralada, o ovo e sove rapidamente.

    Casca de limão ralada; a casa inteira ficou perfumada e, com os limões, fiz uma limonada!


    Cubra a massa com papel filme e deixe na geladeira por pelo menos meia hora.

    Creme:

    Em uma panela, misture a farinha com o açúcar, depois, acrescente o ovo e, com uma colher de pau, misture tudo até obter um creme liso.


    Adicione aos poucos o leite frio, sempre mexendo, para que não empelote. Então, acrescente a casca de limão ralada e cozinhe em fogo médio/baixo.


    Deixe ferver por 2 ou 3 minutos; o creme deve engrossar.


    Cubra e deixe esfriar.


    Montagem:
    Divida a massa em 2/3 e 1/3.
    Abra a os 2/3 da massa com um rolo e estenda na forma de 22 cm de diâmetro untada e enfarinhada [não untei, pois na massa vai muita manteiga e usei forma com borda removível]; as bordas devem ficar altas.

     Abri a massa sobre o plástico filme para facilitar a transferência para a forma

    Cubra com o creme.


    Estenda o restante da massa sobre o creme, dobrando e selando as bordas.
     
    Depois disso, cubra com pinoli, pressionando um pouco com a mão para que eles se fixem.


    Coloque no forno a 170ºC por aproximadamente 40 minutos na prateleira inferior.


     Depois de assado, deixe esfriar e, com uma peneira, polvilhe açúcar de confeiteiro.




    NHAM! :)

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