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  1. Julie & Julia ou Fazendo o que se gosta

    domingo, 27 de outubro de 2013


    Título: Julie & Julia
    Título original: Julie & Julia
    Autora: Julie Powell
    Tradutor: Alexandre Hubner
    Editora: Conrad
    Número de páginas: 344
    Publicação no Brasil: 2007
    Outras edições:
     Edição da Editora Record, de 2010


     Edição Back Bay Books, de 2005

    ***

    Há alguns meses vi o filme "Julie & Julia'', gostei, e quis ler o livro, pois, teoricamente, os livros em que os filmes são baseados costumam ser (ainda) melhores que os filmes.
    Antes de falar da história do filme/livro, queria comentar sobre as edições: primeiro comprei a edição da Editora Record, mas depois vi que havia uma edição da Editora Conrad, mais antiga, que tem uma capa linda (!), feita pelo Jonathan Yamakami, e comprei também. Depois encontrei a edição em inglês. Comecei a ler as três e ia comparando as traduções. Posso dizer que gosto um pouco mais da tradução publicada pela Record, feita pela Alice França, mas, depois de um tempo, acabei lendo só a edição da Conrad mesmo (estava muito demorado ler as três versões e comparar - e eu adorava olhar aquela capa vermelha ao fechar o livro...).

    Julie & Julia foi escrito a partir de um blog que Julie Powell criou no início dos anos 2000, em que ela contava sobre o seu projeto: fazer 524 receitas do livro Mastering the Art of French Cooking, escrito por Julia Child, chef americana conhecida por popularizar a culinária francesa nos Estados Unidos nos anos 1960.

    Julia Child

    Ao que parece, Julie estava um entediada com o trabalho como secretária em uma repartição pública em Nova York e precisava de algo que a motivasse, então, seu marido, Eric, fez algumas sugestões, entre elas, escrever um blog. Ela então pensou sobre o que poderia escrever no tal blog e decidiu que, como gostava de cozinhar, talvez seria interessante fazer as receitas contidas no livro de Julia Child, que ela havia sorrateiramente trazido da casa de sua mãe, e relatar essas experiências. Foi mais ou menos assim que começou o projeto Julie/Julia.

    Julia Child também parece ter ido estudar gastronomia na tradicional escola Le Cordon Bleu, em Paris, por estar entediada e não saber o que fazer enquanto seu marido, Paul, trabalhava, no fim dos anos 1940/início dos anos 1950. Como o marido apreciava boas comidas e bebidas, talvez o interesse por preparar pratos sofisticados tenha surgido daí.

    Julie vai mesclando fragmentos de sua autobiografia, incluindo lembranças, o marido, a família, os amigos, o trabalho maçante, detalhes (em sua maior parte fictícios) sobre Julia Child e o preparo de receitas francesas. Em alguns pontos é um pouco monótono, pois ela detalha demais, como, por exemplo, quando ela conta que, aos 11, via uma revista pornográfica dos pais escondida, quando eles saíam, e que associou o livro da Julia Child da mãe à revista quando o viu, porque os nomes das receitas lhe pareciam meio "pornográficas". O prazer sexual e o prazer da comida são prazeres distintos, mas que, de certa forma, se aproximam. Às vezes ela comenta bastante sobre a vida de alguns amigos e parece fugir um pouco do foco do livro - como a história de uma amiga que estava flertando com um homem casado e muito mais velho.

    Julie cozinha depois do trabalho e nos finais de semana, o que faz com que ela fique bastante cansada e que provavelmente gerou um desgaste no relacionamento. Há receitas que dão certo (sopa parmentier), outras que dão errado (boeuf bourguignon) e outras que, apesar de ela e seus leitores odiarem, ela insiste em fazer (aspic - um tipo de comida que é envolvida por um tipo de gelatina), para cumprir a meta do projeto.

    O blog tem um público cada vez maior e acaba chamando a atenção de algumas pessoas da mídia, que começam a querer entrevistá-la e, assim, o blog ganha ainda mais notoriedade, até que ela é convidada a publicar um livro. A súbita fama permite que ela deixe o emprego na repartição pública para se dedicar à escrita.

    O livro não é ruim, mas também não é surpreendentemente bom. Fica no meio-termo. É um bom entretenimento para amantes de culinária/gastronomia, mas leitores um pouco mais exigentes podem não gostar, nesse caso, recomendo apenas o divertido filme, com a ótima Meryl Streep, que me deu à Julia Child um ar mais simpático do que ela parecia ter. O fato de a Julia Child ter dito que antipatizava com o blog/projeto da Julie Powell e que não queria ninguém "ganhando dinheiro com o nome dela" me deixou uma impressão meio negativa da Julia, porque interpreto o que a Julie fez como uma homenagem.

    Abaixo, um vídeo da Julia Child preparando o boeuf bourguignon:



    Neste link dá para ler o blog do The Julie/Julia Project Blog, que não tive paciência de ler, embora deve ter sido muito bacana acompanhar o blog na época em que era escrito.

    Inspirada pelo livro, fiz Foie de veau au champignon et à la crème fraîche (fígado de vitela com champignon e creme de leite fresco - mas não usei fígado de vitela, usei fígado comum).

    ***

     Foie de veau au champignon et à la crème fraîche 
    (Fígado de vitela com champignon e creme de leite fresco)

    Receita adaptada daqui.


    Ingredientes:

    500 g de fígado bovino
    5 dentes de alho
    1 cebola pequena
    champignons
    5 colheres de creme de leite fresco
    um pouco de vinho branco
    sal e orégano a gosto
    azeite de oliva para fritar

    Modo de preparo:

    Picar a cebola e o alho e fritar no azeite. 


    Cortar o fígado em cubos e fritar. Acrescentar um pouco de vinho branco, o sal e o orégano.


    Depois, acrescentar o champignon cortado e o creme de leite e mexer até o creme de leite começar a ferver. Desligar o fogo.


    Os acompanhamentos podem ser arroz branco ou batata sauté e salada.


    Depois quero tentar fazer o famoso boeuf borguignon!

    Obs: com o restante do frasco de creme de leite fresco é possível fazer chantilly, bastando bater o creme de leite com quatro colheres de sopa de açúcar com o fouet até dar o ponto. Fica uma delícia.


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