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  1. Gourmet, comida japonesa em HQ

    terça-feira, 27 de novembro de 2012

     Sobrecapa

    Capa

    Título: Gourmet
    Título original: Kodoku no Gurume
    Autores: Jiro Taniguchi (texto) e Masayuki Qusumi (desenhos) 
    Tradutora: Drik Sada
    Editora: Conrad (ver site)
    Número de páginas: 200
    Ano de publicação no Brasil: 2009
    ***
    "... e eu estou é com muita fome." Assim começa a narração do protagonista da HQ Gourmet, termo muitas vezes associado a comidas refinadas (e caras), mas, dentro da obra, tem a ver simplesmente com o prazer que uma boa comida proporciona.


    Ao longo dos dezoito capítulos, pouco descobrimos sobre o protagonista, além do fato de ele ser um comerciante ou negociante que faz muitos trabalhos externos, por isso, muitas vezes, não tem horário nem lugar certo para comer. Então, acompanhamos seus passos por Tóquio e redondezas, onde ele entra em diferentes tipos de restaurantes, em uma loja de conveniência e em uma barraca de rua e pede os pratos que está com vontade de comer naquele determinado dia, descrevendo-os. A combinação de HQ e comida é perfeita.

     Mamekan (gelatina de alga + grãos de feijão kuromame + calda de açúcar de cana)


    Algumas outras comidas que parecem muito boas apresentadas (e devoradas) pelo protagonista:

    Vienna Curry

    Gyoza (pastel de carne de porco, geralmente cozido no vapor)


    Conforme o protagonista anda pelas ruas, podemos ler seus pensamentos e observações sobre o cotidiano japonês. Uma de suas falas resume mais ou menos o que ele pensa e sente sobre o ato de comer:


    Apenas em três momentos podemos vislumbrar detalhes de sua vida pessoal: quando o protagonista pensa em vender jaquetas de couro e lembra de quando estava com sua ex-namorada, uma atriz japonesa promissora, em Paris, e ambos se separaram, pouco antes de comer yakimanju (bolinhos assados com ou sem recheio de doce de feijão, enfileirados no espeto); quando vai a um jogo de beisebol, pois seu sobrinho está jogando (onde come o "Vienna Curry" da ilustração acima e quase morre de calor, pois o dia já estava quente - o curry tem um sabor apimentado) e quando vai à ilha Enoshima e se lembra de uma outra ex-namorada com quem fora lá pela primeira vez havia muitos anos - e depois vai comer manju (bolinho assado com recheio de anko, doce de feijão).

    Duas curiosidades: 1. o protagonista não bebe e isso às vezes o constrange em alguns locais, pois é comum os clientes japoneses pedirem algum tipo de bebida alcóolica enquanto aguardam a comida e 2. ele fuma. Nunca entendi pessoas que fumam, principalmente depois de uma boa refeição.
    Para quem não tem familiaridade com nomes de pratos da culinária japonesa, as duas últimas páginas da HQ apresentam um glossário dos pratos da HQ e seus principais ingredientes.

    A HQ termina com o protagonista fazendo uma boa refeição, o que pode deixar alguns leitores com uma vontade louca de fechar o livro e correr para um restaurante japonês.
    Obs: obrigada, Sergio, pela indicação desta HQ!
    ***
    Mamekan
    Tentei fazer o mamekan de forma adaptada, mas não ficou bom. Na receita original são utilizados: kanten (gelatina de alga), um tipo de feijão chamado kuromame (procurei, mas não achei para comprar) e calda de açúcar de cana. Utilizei: kanten, feijão azuki e, para a calda, fervi caldo de cana até engrossar:



    Não gostei da combinação kanten + feijão. Mesmo se tivesse o kuromame disponível, não acredito que o gosto seria muito melhor. Então, abaixo, fiz uma versão melhorada do mamekan, que ficou bem melhor!

    Ingredientes:
    1 pacotinho de kanten (5g)
    1 copo americano de açúcar
    frutas picadas a gosto (usei pitaia, kiwi, morango, uva e cereja e abacaxi em calda)
    leite condensado a gosto

    Modo de preparo:
    Prepare o kanten conforme instruções da embalagem, acrescentando o açúcar e, quando estiver pronto, corte em cubos. Detalhe: esse tipo de gelatina não precisa necessariamente ir para a geladeira para ficar consistente, pode ser deixada ao ar livre até endurecer.

    Pique as frutas, junte aos cubos de kanten e cubra tudo com leite condensado a gosto.

    Também fiz uma versão com mel, em vez de leite condensado, que ficou boa:


    Essas são duas marcas de kanten que já comprei e são boas (são encontradas em supermercados e lojas de produtos orientais):



    ***

    Sobá

    Este prato, apesar de não estar na HQ, é deliciosa e gostaria de compartilhar.
    A Yuri que preparou e fiquei de assistente.

    Ingredientes:
    1 pacote de macarrão próprio para sobá
    1,5 litro de água fervente
    500g de frango cortado em cubos
    5 colheres (sopa) de shoyu
    konbu em pó ou hondashi a gosto
    1 pacote de shiitake
    tikuwa (massa de peixe) fatiado
    omeletes com um pouco de açúcar, Aji-no-moto e sal picadas em tiras
    gengibre ralado
    cebolinha picada
    alga salgada e frita em folhas

    Macarrão escorrido, ovos cortados em tiras, tikuwa, alga em folha e gengibre

    Usamos esta marca de alga coreana:
     
    Modo de preparo:
    Cozinhe o macarrão conforme instruções da embalagem. Ao mesmo tempo, ferva a água, acrescente os cubos de frango e o konbu/hondashi, até que o frango esteja cozido. Depois, acrescente o shoyu, o shiitake cortado em tiras e a cebolinha picada. Cozinhar por mais alguns minutos.

    O macarrão ficará pronto antes do caldo, escorra e reserve.
     Caldo para sobá
    Corte o tikuwa.



    Frite os ovos (em forma de omelete, com um pouco de açúcar, Aji-no-moto e sal) e corte em tiras finas, com mais ou menos 2 cm de comprimento):




    Rale o gengibre.


    E agora é só montar o prato:

    Em uma cumbuca ou tchawan (cumbuca japonesa), coloque o macarrão.


    Acrescente o molho.


    Acrescente o tikuwa, o ovo, o gengibre e a alga e... tcharam! :)



     ***
     Bônus: Saquerinha
    For hard times, saquerinha time!

    Ingredientes:
    fruta(s) lavada(s) e picada(s) a gosto
    saquê
    açúcar a gosto
    gelo



    Modo de preparo:
    Pique a(s) fruta(s) escolhida(s), coloque a quantidade desejada em um copo, acrescente açúcar a gosto, soque as frutas com um socador. Acrescente cerca de dois dedos de saquê, misture e acrescente pedras de gelo.

    Algumas saquerinhas que já preparei:

    Saquerinha de uva

     Saquerinha de morango

    Saquerinha de lichia

    Saquerinha de melancia

    Saquerinha de kiwi e morango

    Kampai! Saúde!


  2. Tomates Verdes Fritos

    terça-feira, 30 de outubro de 2012


    Título: Tomates verdes fritos - No Café da Parada do Apito
    Título original: Fried Green Tomatoes at the Whistle Stop Cafe
    Autora: Fannie Flagg
    Tradutora: Vera Caputo
    Editora: Globo
    Número de páginas: 362
    Ano de publicação no Brasil: 1993 (4ª edição)

    ***
    Depois de reler este livro e rever pela enésima vez o filme, prestando atenção aos aspectos culinários, tive a impressão de que se come bem no Alabama e na Geórgia, estados da região sul dos Estados Unidos, onde a história acontece. Há muitos pratos fritos - e muito calóricos, eu sei -, mas que parecem deliciosos.

    Vi o filme pela primeira vez na década de 1990, quando ainda existiam fitas VHS na locadora. E lembro que no verso do encarte de papel, que aparecia na parte interna da caixa da fita, vinha a receita dos tomates verdes fritos - uma ideia simples, mas muito legal. Vários anos depois, li o livro.

    A autora Fannie Flagg [foto retirada daqui]

    Annie Flagg escreveu Tomates Verdes Fritos na década de 1980 e uma parte da história se passa mesmo nessa época, e a outra, principalmente nas décadas de 1920 e 1930. A narrativa da época mais recente é linear, e os fatos do passado são apresentados sem ordem cronológica pela narradora-personagem Ninny, por um narrador-observador ou por meio de um jornal semanal fictício, O Semanário Weems, escrito por Dot Weems, que também trabalha na agência dos correios de Whistle Stop, Alabama.

    Página do livro com a diagramação do Semanário Weems

    Quando Evelyn Couch, uma dona de casa infeliz, acompanha o marido em uma visita à mãe dele em uma casa de repouso para idosos em Birmingham, Alabama, ela conhece uma senhora octagenária, Ninny Threadgoode, que estava passando uns dias no local para acompanhar uma velha amiga e, depois que tudo estivesse bem, voltaria para sua casa em Whistle Stop. O encontro se dá na sala de espera da casa de repouso, logo depois que Evelyn é expulsa do quarto pela sogra, que vive de mau humor. No começo, Ninny se mostra um pouco inconveniente, puxando conversa e falando sem parar, mas logo prende a atenção de Evelyn ao começar a narrar a história da família Threadgoode, especialmente sobre Idgie Threadgoode e Ruth Jamison.

    Desde criança, Idgie já demonstrava ter vontades e opiniões próprias e era a irmã preferida de Buddy, assim como ele era o seu irmão preferido. Depois da morte dele, quando ela tinha uns 12 anos,  tornou-se arredia, gostava de pescar e andar sozinha pelo mato. Passados quatro anos, com a vinda de Ruth, filha de amigos da família, que cuidaria de assuntos da igreja local por um tempo, isso mudou. Ruth ficou hospedada na casa dos Threadgoode e conseguiu conquistar a confiança de Idgie, que passou a lhe dar ouvidos e a conviver um pouco mais civilizadamente com a própria família. Idgie havia se apaixonado por Ruth e isso foi encarado com naturalidade pela família, o que me soou um pouco inverossímil, pois isso acontece na década de 1920. De qualquer forma, a única coisa que importava para os pais de Idgie é que ela estivesse feliz e voltasse para perto da família. 

    A minha parte preferida do livro (e do filme) é quando Idgie rouba a chave do carro de um dos irmãos e leva Ruth para um piquenique em uma área deserta. Nesse lugar, Idgie pede para Ruth ficar parada,  ela então caminha até uma árvore, enfia a mão e um pote dentro de seu tronco e depois o retira cheio de mel, enquanto muitas abelhas esvoaçam e pousam sobre ela. 

    É engraçado como a maior parte das pessoas pode estar perto de alguém e gradualmente começar a amá-lo, mas jamais saber quando foi que isso aconteceu; mas Ruth sabia exatamente qual fora o seu momento. Foi quando Idgie sorriu e lhe ofereceu o vidro de mel que todos os seus sentimentos ocultos há tanto tempo vieram à tona. Foi aí que ela descobriu que amava Idgie profundamente. Por essa razão começou a chorar naquele dia. Nunca sentira nada parecido e tinha certeza de que jamais voltaria a sentir algo igual.
    [trecho do livro, p. 88]

    "Encantadora de abelhas" [tirado daqui]
    Depois disso, Ruth precisa ir embora para se casar com o noivo em outra cidade, o que deixa Idgie arrasada. Mas, depois de um tempo, Idgie a "resgata", pois fica sabendo que o marido batia nela, e elas passam a morar com os Threadgoode. Como Ruth está grávida, o pai de Idgie lhe dá um dinheiro para abrir um café e diz que, a partir de então, ela seria responsável por cuidar de Ruth e do bebê.
    Quando Buddy Threadgoode Jr., filho de Ruth, nasce, é considerado por todos filho dela e de Idgie, que ajuda a criá-lo. Pouco depois, surge o Café da Parada do Apito, onde elas passam a servir refeições diversas (incluindo tomates verdes fritos e churrasco) e sobremesas.

    Cena do filme
    O fato de venderem comida para os negros (que comem na parte de trás do Café) irritam algumas pessoas e membros da Ku Klux Kan, mas Idgie não se intimida.

    O assassinato do marido de Ruth dá um pouco de suspense à trama, mas o caso se resolve de modo inusitado.

    Evelyn Couch passa a ter prazer em visitar Ninny na casa de repouso, pois tem bastante interesse em saber mais sobre a história dos Threadgoode e também porque a amizade daquela senhora muda sua vida de modo surpreendente ao longo do ano em que elas se encontram.

    O final do livro é um pouco triste. No filme, suavizaram.

    Em um tipo de apêndice no final do livro, há várias receitas, provavelmente típicas do sul dos Estados Unidos. Receitas de Sipsey, uma mulher negra que sempre trabalhou para a família Threadgoode, excelente cozinheira, que Ninny fez questão de passar para Evelyn.

     
    ***
    Um pouco sobre o filme:


    Se forem comprar o DVD, prefiram a "Edição de Aniversário", pois tem o "Making Of" com várias entrevistas com o diretor, com as atrizes e com a autora do livro (que tentou adaptar o roteiro, mas, a certa altura, desistiu). Na outra versão vem escrito Tomates Verdes e Fritos. Esse "e" não existe.


     Diretor do filme, Jon Avnet, saboreando tomates verdes fritos no Whistle Stop Cafe

    O filme foi rodado na cidade de Juliette, na Geórgia (estado vizinho ao Alabama, onde a história do livro acontece), e, depois das filmagens, o Café da Parada do Apito passou a funcionar de verdade, gerando empregos e renda para as pessoas da cidade. O site do Whistle Stop Cafe, nome original em inglês, é este.

    Whistle Stop Cafe atualmente. Foto tirada daqui.


    Whistle Stop Cafe. Foto tirada daqui.
    No filme, imagino que por razões comerciais, a relação entre Idgie e Ruth é velada. Mas, no "Making Of", o diretor comenta que a cena em que as duas personagens fazem uma guerra de comida na cozinha (que não foi ensaiada; ele as deixou improvisar no momento da gravação) é um eufemismo do ato sexual.


    Também na parte do "Making Of" do DVD, a autora do livro afirmou que, quando visitou a locação do filme, se sentiu uma pintora que tinha entrado no próprio quadro. De repente o que era algo da imaginação dela estava lá, tinha se materializado.

    ***

    Tomates Verdes Fritos

      Tomate verde frito, quiabo frito e canjica amanteigada

    Ingredientes:
    2 tomates médios verdes
    1 ovo
    Sal
    Pimenta
    Farinha de milho branca
    Bacon em fatias
    Óleo

    Modo de preparo:
    Corte os tomates em rodelas, tempere-as com sal e pimenta, passe-as no ovo batido e depois na farinha de milho branca.
    Coloque óleo na frigideira e, quando esquentar, acrescente  as fatias de bacon e, depois, as rodelas de tomate. Deixe dourar dois dois lados.

    Observações:
    1. Acabei de descobrir que perdi todas as fotos que tirei durante o preparo das receitas e só me restou esta [acima].
    2. A farinha de milho branca vem em "flocos", é preciso quebrá-la com os dedos para que fique mais fina - para fritar, é melhor.
    3. O bacon é opcional, mas como na versão do livro tinha, resolvi usar.
    4. Acrescentei o ovo à receita do livro, pois cobrir apenas com farinha não ficou bom.

    ***

    Quiabo frito

    Ingredientes:
    Meio pacote de quiabo [aprox. 150g]
    1 ovo
    Farinha de milho branca
    Óleo para fritar

    Modo de preparo:
    Lave bem os quiabos, retire os talos e corte-os em pedaços à gosto [na receita do livro a orientação é cortar no sentido do comprimento, mas cortei de outra forma]. Passe em ovos e depois na farinha de milho.
    Esquente o óleo na frigideira, acrescente os quiabos e espere dourar.

    ***

    Canjica

    Ingredientes:
    2 colheres de sopa de manteiga
    1 colher de chá de sal
    5 xícaras de água fervendo
    1 xícara de canjica

    Modo de preparo:
    Coloque a manteiga e o sal na água fervente. Acrescente a canjica. Tampe e cozinhe em fogo branco por cerca de 40 minutos, sempre mexendo.

    Observações:
    1. Nunca tinha pensado na possibilidade de comer canjica salgada. Até hoje, só conhecia a versão doce, com leite condensado. A versão salgada também é boa.
    2. É preciso mexer mais a canjica quando a água estiver secando, pois começa a grudar no fundo da panela.


  3. Frango, ameixas e a vida

    quinta-feira, 27 de setembro de 2012


    Título: Frango com ameixas
    Título original: Poulet aux prunes
    Autora: Marjane Satrapi
    Tradutor: Paulo Werneck
    Editora: Cia. das Letras
    Número de páginas: 88
    Ano de publicação no Brasil: 2008

    Faço questão de estrear o blogue escrevendo sobre uma HQ (história em quadrinhos) da iraniana Marjane Satrapi, porque devo a ela o fato de hoje eu gostar de ler HQs. Em julho de 2010, descobri Persépolis na Biblioteca São Paulo, peguei emprestado os quatro volumes, devorei tudo e fiquei impressionada. Até então, não sabia que HQ também era ou podia ser literatura; já tinha tentado ler HQs de super-heróis, mas realmente não é a minha praia - me frustra porque não me acrescenta nada. Mas quando li Marjane Satrapi meu limitado pré-conceito sobre HQs se desfez. Por causa dela, depois descobri Guy Deslile, Liniers, Art Spiegelman, Joe Sacco... e quero conhecer todos os quadrinistas que fazem trabalhos autorais.

    Marjane Satrapi. Foto tirada do site da Random House.
    Frango com ameixas é baseada na história de um tio da Marjane, Nasser Ali, que morreu dez anos antes de ela nascer. Em uma briga, a esposa de Nasser Ali quebra seu tar, um instrumento musical típico do Irã, com o qual ele trabalhava desde jovem e pelo qual tinha um amor infinito, pois fora presente de seu grande mestre. 


    A partir desse dia, Nasser Ali perde a vontade de viver. Ele tenta encontrar outro tar perfeito, compra alguns, mas nenhum era bom o suficiente.

    Durante esses dias em que fica trancado no quarto, ele reflete sobre passagens de sua vida, que se mesclam com cenas de um cotidiano agora sombrio. Ele para de comer e, ao fim de dois dias de jejum, pensa em várias comidas gostosas. Seu prato preferido é frango com ameixas, especialidade de sua mãe, já falecida.



    Conforme a leitura avança, descobrimos por que o tar, ou melhor, aquele tar específico que a esposa dele quebrou, era tão importante para ele. É tão bonito quanto triste. Vocês precisam ler a HQ para descobrir o porquê! :)

    Em 2011, vi a adaptação cinematográfica dessa HQ, que a própria Marjane ajudou a dirigir, na 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e gostei do resultado - ao contrário do que possam pensar, não é um filme depressivo, apesar do estado de espírito do protagonista; é um drama com toques de comédia. Antes da sessão, a atriz portuguesa, Maria de Medeiros (eu a conhecia do filme Capitães de Abril), que faz parte do elenco, falou um pouco com a plateia sobre o filme. Comentou que a Marjane queria muito ter vindo ao Brasil, mas como, na época, o filme estava estreando em vários países e ela precisava estar nesses países, não conseguiu vir; falou um pouco também sobre o filme se passar no Irã mas ser falado em francês - quando vemos um filme que se passa em qualquer lugar do mundo e os personagens falam inglês, ninguém estranha, então, por que não fazer um filme que se passa no Irã, mas falado em francês? Partindo dessa ideia, fizeram o filme falado em francês e não achei que ficou inverossímil por causa disso. Muito simpática a Maria de Medeiros!

    Espero que o filme estreie por aqui e fique em cartaz por várias semanas (foi muito disputado na Mostra).

    Trailer do filme:


    ***

    Meu frango com ameixas

    Muitas vezes não sigo as receitas exatamente com elas são e, para preparar este assado, juntei duas receitas - uma do kafka na praia e outra da Tastemag [em inglês].

    Ingredientes:
    6 sobrecoxas
    4 colheres de sopa de mel
    4 dentes de alho amassados
    sal para temperar o frango
    pimenta do reino branca a gosto
    pimenta calabresa (é ardida, usem com moderação!)
    1 colher de azeite
    1/2 lata de ameixas (sem caroço)
    1 xícara de caldo de galinha 
    alecrim

    Modo de preparo:
    Misturar  todos os ingredientes em uma vasilha, exceto o frango temperado com sal. O frango deve ser acrescentado depois. Deixar na geladeira de um dia para o outro.


    Um detalhe é que fiz mais caldo de galinha do que a receita em inglês pedia, porque queria que o frango ficasse imerso - e mesmo assim o tempero não impregnou bem. Da próxima vez farei menos caldo (e mais concentrado) e vou deixar mais tempo marinando.

     Assei em fogo médio-baixo por mais ou menos 1h30 e o resultado foi este:
     


    Prato completo:



    Bon appetit! :)