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  1. Todos nós adorávamos caubóis

    terça-feira, 30 de junho de 2015


    Título: Todos nós adorávamos caubóis
    Autora: Carol Bensimon
    Editora: Companhia das Letras
    Número de páginas: 192
    Ano de publicação: 2013

    ***

    Desculpem pelo hiato! O restaurante literário está reaberto e tentarei acrescentar um livro novo e um prato diferente ao menu uma vez por mês como antes.

    Para marcar o retorno, vou escrever sobre este livro da Carol Bensimon que li recentemente e do qual gostei bastante. Foi o segundo livro dela que li, sendo que o primeiro foi Sinuca embaixo d'água, recomendado por um amigo, de que não gostei tanto.

    Carol Bensimon (foto daqui). 
    [Gosto dessa foto porque tem o parque colorido ao fundo...]

    Apesar do título, a história não tem nada a ver com caubóis. E só descobrimos a razão do título bem no finalzinho do livro.

    A história, na verdade, é sobre duas garotas, Cora e Julia, e uma viagem que elas fazem pelo interior do Rio Grande do Sul, enquanto tentam resolver questões pessoais e retomar a amizade que tinham ou o amor que sentiam ou ainda sentem uma pela outra. [Deveria existir um gênero literário chamado road book, não?] E acompanhamos a trajetória das duas através do olhar de Cora, pois é ela quem narra os acontecimentos presentes e passados (por meio de flashbacks).

    Enquanto lia, lembrei de três road movies em que duas mulheres viajam sozinhas: o clássico "Thelma e Louise" (na página 119, Cora até comenta que ela e Julia ficaram conversando sobre o final desse filme), "Simplesmente uma mulher" (este) e "A viagem" (este). Nesses três filmes as mulheres também estão, de uma forma ou de outra, fugindo de conflitos internos e externos e partem em viagem talvez na tentativa de achar respostas ou de encontrarem a si próprias.

    Cora e Julia eram amigas desde os tempos de faculdade e a amizade delas era ambígua. Quando Cora percebe que está se apaixonando por Julia, Julia parte para um intercâmbio no Canadá. Pouco tempo depois, Cora vai estudar moda em Paris. As duas se separam de uma fora meio brusca e só vão retomar contato anos depois e decidem fazer a viagem que planejavam descompromissadamente quando estavam na faculdade, em Porto Alegre.

    Na realidade, o pai de Cora envia a passagem para que ela volte a Porto Alegre por um tempo, pois seu meio-irmão (filho do pai dela e da nova esposa do pai) vai nascer e ele queria que ela estivesse presente nesse momento. No entanto, em vez de ficar com a família, Cora viaja com Julia. Aliás, ela topa voltar a Porto Alegre, pois havia conversado com Julia e sabia que a amiga estaria por lá também.

    Juntas elas passam por Antônio Prado, São Marcos, São Jorge da Mulada, São Francisco de Paula, Cambará do Sul, Pântano Grande, Caçapava do Sul (Pedra do Segredo), Minas do Camaquã, Bagé e Soledade (cidade natal de Julia), onde interagem com outros personagens no mínimo curiosos, e, por fim, Cora termina em Porto Alegre, decidida a passar o restante do tempo com a família.

    No fim da viagem, as duas garotas já são pessoas diferentes, assim como, de certa forma, também voltamos transformados de alguma forma depois de alguma viagem, não importa para onde.

    No fim do ano passado também fui viajar de carro pelo sul - Paraná (Curitiba), Santa Catarina (Laguna) e Rio Grande do Sul (Garibaldi, Gramado, Bento Gonçalves e Porto Alegre) - e me identifiquei com várias paisagens e personagens descritos neste livro, só senti falta das comidas! Para mim, a viagem por essas cidades foi bastante gastronômica. Li em algum site que o Jorge Amado costumava dizer que sempre colocava comida em seus livros, pois os personagens precisavam se alimentar para estar vivos - e imagino que ele também inseria vários pratos porque gostava de comer bem.

    Apesar de não haver nenhum prato citado no livro, depois de lê-lo, me inspirei para fazer talharim com salmão e alho-poró, que foi um dos melhores pratos de massa que já comi na vida no restaurante CasaCurta, em Garibaldi. Claro que não ficou igual, mas fiquei satisfeita com o sabor.

    ***
    TALHARIM COM SALMÃO E ALHO-PORÓ

    Ingredientes:
    1 pacote de macarrão talharim [usei massa fresca]
    350 g de salmão fresco
    1 talo de alho-poró cortado em rodelas finas
    1 colher (sopa) de manteiga 
    1 xícara (chá) de leite
    1 colher (sopa) de maisena (amido de milho)
    150 ml de creme de leite fresco
    1/2 cebola pequena picada
    suco de 1 limão
    pimenta-do-reino e sal a gosto



    Modo de preparo:

    Corte o salmão em cubos, tirando a pele. Tempere com o suco de limão e deixe descansar por cerca de 15 minutos.

    Enquanto isso, cozinhe o talharim. Se a massa for fresca, preste atenção ao tempo de cozimento para que não passe do ponto. A massa fresca cozinha muito mais rápido que a massa desidratada. 

    Refogue a cebola e o alho-poró picados na manteiga.



    Acrescente o salmão em cubos, o sal e a pimenta-do-reino a gosto e mexa, desfazendo o salmão.



    Misture o amido de milho à xícara de leite até diluir e despeje na panela, mexendo sempre, até engrossar.

    Por último, acrescente o creme de leite fresco e misture até o molho ficar homogêneo.


    Escorra o talharim, coloque uma porção no prato e cubra com o molho. Se preferir, coloque um pouco de salsinha picada e queijo ralado ao servir.

    O resultado final é este:


    Buon appetito! :)


  2. O rocambole, de Davi Arrigucci Jr.

    quinta-feira, 31 de julho de 2014


    Título: O rocambole
    Autor: Davi Arrigucci Jr.
    Ilustrador:  Paulo Pasta
    Editora: Cosac Naify
    Número de páginas: 120
    Ano de publicação: 2005

    ***

    Vou ser franca e direta: não gostei desse livro. Apesar disso, eu o li duas vezes. Explico: quando terminei de ler, não tive tempo nem vontade de escrever sobre ele, então se passaram meses e eu lembrava apenas vagamente da história (lembrava que tinha um rocambole gostoso :). Por isso precisei ler de novo.

    Rocambole me lembrou de algo que um livreiro comentou uma vez: que os livros da editora Cosac Naify tinham uma "embalagem" muito bonita para disfarçar a falta de conteúdo ou a qualidade questionável do texto. Ainda não consigo concluir o quanto disso é verdade, mas, por enquanto, tenho essa impressão quando leio livros de autores nacionais dessa editora. Os livros traduzidos (pelo menos os que li até o momento), em geral, conseguem combinar um belo projeto gráfico e um bom conteúdo.

    No caso de Rocambole, fiquei bastante frustrada. O projeto gráfico é bonito, a qualidade da impressão e do papel é boa, as pinturas do Paulo Pasta que ilustram a história são bonitas (apesar de a pintura da capa parecer mais um sushi e não um rocambole), só que a história não ajuda.


    A princípio, o enredo parece bastante interessante: Mariana, ex-namorada de Lourenço, vai morar no "casarão dos Heyst" com Dona Leontina, que seria sua sogra, Dona Helga, irmã mais nova de Dona Leontina, e Josefina, a empregada, depois que Lourenço se suicida. É uma situação curiosa, pois Dona Leontina era contra o casamento do filho com Mariana. Apesar desse início instigante ("por que Mariana aceitou morar na casa de Dona Leontina?", "por que Lourenço se matou?", "por que Dona Leontina convidou Mariana para morar no casarão se não gostava dela e não queria que ela se casasse com o filho?", "como era o relacionamento dos dois antes da tragédia?" etc.), tive a impressão de que a história se perde e o autor não consegue aprofundar nenhum personagem.


    No capítulo 3, somos introduzidos a Spacca, um garoto que gostava de passarinhos e de teatro; ele é descendente de italianos e morava com os pais ao lado do casarão dos Heyst (Dona Leontina era viúva de um alemão com esse sobrenome). No capítulo 4, a história de Spacca e seu grupo de amigos é narrada em primeira pessoa por um narrador não identificado, provavelmente um dos amigos de Spacca. Já que o narrador não se identifica e não tem importância relevante na trama, para mim não fez sentido essa mudança de narrador. Esse capítulo, aliás, é o mais tedioso do livro e parece interminável. No capítulo 5, a narração volta para terceira pessoa e ficamos sabendo que Spacca tem uma queda por Mariana e fica tentando espioná-la.


    Uma das partes legais que remete ao título é o fato de Dona Helga e Josefina gostarem de cozinhar e fazem isso em uma cozinha instalada em um tipo de porão do casarão, pois ali Dona Leontina (aparentemente uma velha chata e ranzinza) não pisava. E dali saíam muitas delícias preparadas pelas duas mulheres, incluindo goiabada e rocambole.


    Dona Fiammetta, mãe de Spacca, gostava muito do rocambole feito pelas vizinhas e um dia Mariana foi levar o doce pessoalmente, para o encanto de Dona Fiammetta.

    O rocambole tinha ficado pronto ainda de manhã e era dos mais bonitos que fizera; modéstia à parte, uma obra-prima, pois não resistira e provara, uma fatiazinha de nada, da pontinha que não se notava, pois também recortou um pedacinho do lado oposto, para não dar na vista. Também, com todo aquele recheio, feito só de goiabas madurinhas e firmes de tão sadias, dava gosto de ver. A goiabada estava mesmo um primor quando foi fazer o recheio [...]
    Dispôs o rolo bem enroladinho numa travessa portuguesa branca toda branca, polvilhou-o por cima com açúcar de confeiteiro e marcou-o a ferro em brasa com várias listras pretas no lombo. Era de fato um bichão, ali deitado. Dona Fiammetta ia apreciar tudo, pois notava como ela tinha bom gosto e sabia reconhecer um trabalho bem-feito. Embrulhou-o, por fim, em papel-manteiga e deixou-o à espera de Mariana, que ia fazer a visita de tarde pela hora do café, como uma surpresa para a vizinha.

    [SPOILER!]

    O fim é insosso: Mariana se desentende com Dona Leontina (que provavelmente deduziu que ela estava de olho no vizinho, Spacca) e vai embora para a casa de uma parente distante que morava em Poços de Caldas, Minas Gerais. Alguns meses depois, Spacca também deixa a casa da mãe, que morre de saudades dele. Fim.


    Alguns leitores podem alegar que o romance não tinha muitas pretensões além de mostrar as diferenças culturais entre imigrantes alemães, imigrantes italianos e brasileiros. Tudo bem, mas os personagens não precisavam ser tão rasos.

    Não vejo esse livro como algo marcante de nossa literatura e imagino que não ficará para a posteridade.

    Apesar de ter me frustrado com a leitura, ela me inspirou a fazer geleia de goiaba e rocambole pela primeira vez. Gosto muito das duas coisas e não sabia que era tão simples de fazer.

    ***

    ROCAMBOLE COM GELEIA DE GOIABA

    Geleia de goiaba

    Ingredientes:
    2 goiabas grandes [usei 4 goiabas porque queria que sobrasse geleia]
    4 colheres (sopa) de açúcar (ou adoce a gosto)
    um pouco de água

    Modo de preparo:
    Descasque as goiabas, pique-as e bata no liquidificador com um pouco de água. Coe sobre uma panela, acrescente o açúcar e cozinhe em fogo médio, mexendo sempre. 


     Depois de uns 30 minutos, a mistura atinge o ponto de geleia. Tire do fogo e reserve.


    Obs.: Como alternativa a esta geleia, é possível usar goiabada industrializada. Basta picar cerca de 3/4 de xícara (chá) de goiabada em uma vasilha que pode ir ao micro-ondas, acrescentar um pouco de água e aquecer por 1 minuto. Misture e aqueça por mais 40 segundos para que os pedaços de goiabada se desfaçam completamente. Se for usar goiabada industrializada, diminua a quantidade de açúcar na massa, pois esse tipo de goiabada normalmente é MUITO doce.

    Massa*

    Ingredientes:
    3 claras em neve 
    3 gemas
    1/2 xícara (chá) de água
    1 xícara (chá) de açúcar
    1 xícara (chá) de farinha de trigo
    1 colher (chá) de fermento em pó

    * fiz 2/3 desta receita e usei uma fôrma de 21x30 cm.

    Modo de preparo:
    Bata as clara em neve, acrescente as gemas.


    Depois, acrescente a água, o açúcar, a farinha (peneirei o açúcar e a farinha para evitar empelotamento) e, por último, o fermento.


    Coloque a massa em uma fôrma untada (usei uma fôrma 21x30 cm) e leve ao forno preaquecido.


    Quando a parte de cima estiver dourada, espete um palito de dente para verificar se a massa está completamente assada. (Se o palito sair seco, o pão de ló está pronto.)


    Assim que tirar do forno, desenforme sobre um pano de prato umedecido e polvilhado com açúcar. Espalhe a geleia de goiaba (ou outro recheio de sua preferência) e enrole.



    Meu rocambole ficou assim:


    :)

    O restante da geleia comi com bolachas e torradas. É uma delícia!


  3. Dona Flor e seus dois maridos e a culinária baiana

    segunda-feira, 30 de junho de 2014


    Título: Dona Flor e seus dois maridos
    Autor: Jorge Amado
    Editora: Cia. das Letras
    Número de páginas: 486
    Ano de publicação: 2008

    ***

    [coming soon!]


  4. Miguilim do Mutúm

    sábado, 28 de dezembro de 2013


    Título: Manuelzão e Miguilim [novela "Campo Geral"]
    Autor: Guimarães Rosa
    Editora: Nova Fronteira
    Número de páginas: 268
    Ano de publicação: 2001 (11ª edição)
    ***

    A vida pelo olhar de uma criança. Poesia em prosa.

    Deste livro, li apenas a novela "Campo Geral", também conhecida como "Miguilim"; deixei "Uma estória de amor" para mais tarde, pois tinha urgência de ver como ficou a adaptação para o cinema, feita pela diretora Sandra Kogut, que acabou sendo uma ótima surpresa.


    Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frango-d'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutúm. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trechos de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos.

    É assim que a novela começa. Ao longo da narrativa, vamos acompanhando as impressões de mundo de Miguilim, seus sentimentos em relação às pessoas que o cercam, até chegar a um fim que julgo "libertador".

    Miguilim gosta muito da mãe, do irmão Dito (seu melhor amigo) e do Tio Terêz, embora não se dê bem com o pai, de quem tenta gostar e a quem tenta agradar, mas parece nunca conseguir. No início, notamos uma tensão em relação aos adultos: o pai de Miguilim expulsa o irmão, Tio Terêz, de casa, e sua mãe, embora não diga nada, se fecha no quarto. 

    Dias depois, quando Miguilim levava o almoço para o pai, que estava trabalhando em uma roça a uma certa distância da casa, Tio Terêz surge do meio do mato e lhe pede que entregue um bilhete para sua mãe. Miguilim se sente bastante angustiado, pois não queria ser desleal com o tio e, ao mesmo tempo, pressente que, se entregasse o bilhete para a mãe, estaria fazendo algo de errado. Ele chega a perguntar a várias pessoas (mãe, irmão, avó, vaqueiro) como é que se sabe se o que fazemos está certo ou não.

    "- Mãe, o que a gente faz, se é mal, se é bem, ver quando é que a gente sabe?" "- Ah, meu filhinho, tudo o que a gente acha muito bom fazer, se gosta demais, então já pode saber que é malfeito..."

    Não há como não se identificar, pelo menos um pouco, com Miguilim nessa passagem, pois é muito provável que tenhamos passado por situações parecidas na infância. Às vezes não é nada tão sério, mas, para as crianças, pode ter uma dimensão gigantesca.

    Depois que seu irmão Dito morre de doença, após momentos de muita aflição por parte de todos, Miguilim parece perder a vivacidade de antes e também se desentende com o pai e, um tempo depois, fica muito doente, achando que vai morrer.

    Após o período de provação, sua trajetória ganha um novo rumo, quando um médico passa pelo lugar onde a família mora e, após uma breve conversa, diz que Miguilim tem a "vista curta" e lhe empresta seus óculos. É um momento mágico para o menino, que, através dos óculos do médico, consegue ver o mundo com um pouco mais de nitidez.

    Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessôas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...



    Interpretei essa passagem como uma despedida da infância, o momento em que o mundo toma proporções mais ou menos condizentes com a "realidade", de certa forma, deixando de ser infinito e embaçado.

    João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Formou-se médico, profissão que deixaria alguns anos depois, por sentir falta de vocação, voltando-se à carreira de diplomata, tendo oportunidade de utilizar os vários idiomas que dominava. 

    Li em alguns sites que "Campos Gerais" tem traços autobiográficos, mas como não tenho conhecimentos profundos sobre a vida e a obra do autor, não posso afirmar nada. (Para saber um pouco mais sobre Guimarães Rosa, clique aqui.)

    Sobre o filme, vale a pena vê-lo, pois a adaptação ficou ótima. Também vale a pena ver o making of, quando a diretora explica sobre a escolha da locação e do elenco (as crianças são da região, não são atores com experiência), da preparação do elenco (as crianças e os atores adultos - profissionais ou não - moraram de verdade, por um tempo, na casa que fez parte do filme antes de as gravações começarem). O ator que interpreta o Miguilim, Thiago da Silva Mariz, é fantástico, e, segundo a diretora, ele não perdeu a simplicidade mesmo depois de ter feito o filme - portanto, foi uma escolha muito acertada.

    Miguilim (Thiago da Silva Mariz)

    Para saber mais sobre o filme, veja a página oficial:  http://www.mutumofilme.com.br/

    ***

    Frango com quiabo (receita mineira)

    Ingredientes:

    1 kg de frango em pedaços (usei sobrecoxas e tirei a pele e os ossos)
    300 g de quiabo
    2 colheres de sopa de óleo
    1 cebola ralada (ou bem picadinha)
    2 dentes de alho picados
    pimenta-do-reino, cheiro verde e sal a gosto
    gotas de limão ou vinagre para tirar a baba do quiabo

    Modo de preparo:

    Coloque uma colher de óleo e frite o frango em pedaços (costumo temperar o frango com um pouco de vinho branco, sal e pimenta-do-reino e fiz isso antes de fritá-lo). Reserve.


    Na mesma panela em que se fritou o frango, refogue o quiabo. Coloque a outra colher de óleo e, depois, o alho, a cebola e deixe dourar. Depois disso, adicione o quiabo picado, o sal e a pimenta-do-reino. Durante o cozimento, para diminuir a quantidade de baba do quiabo, acrescente gotas de limão ou de vinagre.


    Depois disso, junte o frango, misture e acrescente 1 xícara de água para formar o caldo e deixe cozinhando por mais alguns minutos.



    Pode ser servido com angu.


  5. O Clube do Picadinho

    domingo, 28 de julho de 2013


    Título: O Clube dos Anjos
    Autor: Luis Fernando Verissimo
    Editora: Objetiva
    Número de páginas: 130
    Ano de publicação: 1998
    ***

    O Clube dos Anjos faz parte da coleção Plenos Pecados, publicada pela Editora Objetiva entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, e cada volume aborda um pecado capital, sendo que o Verissimo foi incumbido de escrever uma história em torno da gula, meu pecado favorito.

    Livros da série Pecados Capitais

    O livro é escrito pelo narrador-personagem Daniel, único sobrevivente dessa história de suspense e humor e, logo nas primeiras páginas, já tenta convencer o leitor de que é inocente.

    Daniel namora Lívia, nutricionista e psicóloga, que não gosta muito dos amigos do namorado que fazem parte "Clube do Picadinho", cujos integrantes têm a mesma idade, são mais ou menos ricos e se reúnem para comer e beber. Lívia tentará convencer o namorado a parar com os jantares mensais quando descobre que os integrantes estão morrendo.

    Minha namorada, a coitada da Lívia, sempre diz que eu nunca sei de quanto espaço preciso, e que isso vem de uma infância de gordo mimado. Algo a ver com ser um filho único que nunca conheceu limites. A coitada da Lívia é psicóloga e nutricionista, há anos tenta me salvar.

    O "Clube do Picadinho", formado por dez amigos com nomes bíblicos (Samuel, Ramos, Pedro, Paulo, Saulo, Marcos, Tiago, João, Abel e Daniel), era uma homenagem ao picadinho que comiam no bar do Alberi. O número de componentes do grupo era sempre dez; quando Ramos, o fundador do clube, morreu de Aids, André o substituiu.

    De reuniões quase diárias no bar do Alberi, na adolescência, e do picadinho de carne com farofa de ovo e banana frita do Alberi que durante anos definiu o nosso gosto culinário, tínhamos progredido para jantares semanais em restaurantes diferentes, depois para reuniões mensais na casa de cada um.

    Daniel e Lucídio se conhecem "por acaso" em uma importadora de vinhos em um shopping e, por alguma razão, os dois vão tomar café e conversar. Nessa conversa, Daniel conta sobre o Clube do Picadinho e Lucídio o ouve com atenção, além de contar que faz parte de uma sociedade secreta que se reúne uma vez por ano no Japão para comer fugu, um peixe venenoso que pode matar se não for preparado com o devido cuidado. Essa história desperta o interesse e a simpatia de Daniel.

    Quando fica sabendo que Daniel será o próximo anfitrião a oferecer o jantar do Clube do Picadinho, Lucídio se oferece para ajudá-lo. Combinam que o prato a ser oferecido será boeuf bourguignon, um dos pratos que Lucídio aprendera a fazer quando morou em Paris, o preferido de Abel. 

    No dia do jantar, depois dos canapés e dos fundos de alcachofra, foi servido o boeuf bourguignon preparado por Lucídio, o que foi apreciado e elogiado por todos, especialmente Abel, que não recusou a última porção oferecida pelo cozinheiro. 

    - Eu só quero dizer uma coisa, Daniel. Sobre o seu jantar.
    Ficamos na expectativa. Abel enfatizou bem cada palavra.
    - Puta que os pariu!
    Todos aplaudiram. [...]

    Foi o último discurso que Abel fez, pois morreu naquela mesma noite.

    Lucídio continuou preparando os pratos dos jantares seguintes (paella, canard à l'orange, quiches, blanquette de veau, suflês, crepes com caviar...) e sempre um integrante do clube morria. Era sempre o que pedia a última porção que sobrava.

    O fim é rocambólico e eu não gostei muito. Talvez por ter sido um livro encomendado o Verissimo não conseguiu fechar de um jeito mais criativo ou talvez porque finais de livros de suspense humorístico não precisem ter muita coerência e nem ser verossímil mesmo.

    O mais engraçado do livro é que, mesmo desconfiando de que estavam sendo envenenados, os integrantes do Clube não queriam abrir mão dos jantares. Queriam ter o prazer de comer e beber bem, mesmo que fosse a última vez.

    Segundo Francine Prose (Gula, Coleção Sete Pecados Capitais, Editora Arx, 2004), a gula e a luxúria eram considerados pecados pela Igreja, pois estavam associados a prazeres dos sentidos - era aceitável comer para alimentar o corpo e fazer sexo para procriar, mas essas atividades não deveriam envolver prazer.

    Também havia a crença de que a gula poderia incitar os fiéis a cometerem os demais pecados, por isso, deveria ser evitada.

    A indulgência excessiva era convite fácil à luxúria, ira e preguiça. Em outras palavras, as seis filhas surgem em nosso comportamento quando estamos embriagados ou recheados de comida, quando comemos tanto que atingimos um estado de consciência - ou inconsciência - no qual paramos de pensar racionalmente e começamos a agir de maneiras que parecem melhor vistas do interior que do exterior. (Prose; p. 24-25)

    Para finalizar, uma curiosidade: a fim de contrapor os sete pecados, os teólogos cristãos classificaram as Sete Virtudes Celestiais - as cardinais: Prudência, Temperança, Justiça, Coragem, e as teológicas: Fé, Esperança e Caridade.

    Os outros seis títulos que compõem a Coleção Plenos Pecados são:

    Mal Secreto, de Zuenir Ventura (Inveja)
    Xadrez, Truco e outras Guerras, de José Roberto Torero (Ira)
    A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro (Luxúria)
    Canoas e Marolas, de João Gilberto Noll (Preguiça)
    Terapia, de Ariel Dorfman (Avareza)
    Voo da Rainha, de Tomás Eloy Martínez (Soberba)

    ***

    Picadinho de carne com legumes e purê de inhame

    Preparei essa receita em homenagem ao passado dos integrantes do Clube do Picadinho. Mas substituí a farofa de ovo e a banana frita por um purê de inhame.
    As receitas foram tiradas daqui.


    Picadinho

    Ingredientes:
    3 colheres (sopa) de óleo
    1 cebola picada
    600 g de carne cortada em cubos bem pequenos [não sei a diferença entre as carnes, mas usei coxão mole, pois vi em um site que era uma das carnes ideais para esse prato; outra opção é o acém]
    150 g de vagem picada
    1 cenoura grande picada
    1 lata de milho escorrida [usei meia lata]
    ½ xícara (chá) de caldo de carne
    Sal e pimenta a gosto
    Salsa picada a gosto [não usei]

    Modo de preparo:
    Em uma panela, aqueça o óleo e doure a cebola. Junte a carne e mexa sem parar, até dourar. 



    Acrescente a vagem, a cenoura, o milho e deixe refogar por 2 minutos, mexendo sempre para não grudar. Acrescente o caldo de carne, se necessário o sal, a pimenta e deixe cozinhar no fogo brando, com a panela tampada, até a carne e os legumes ficarem macios.


    Purê
    [fiz metade dessa receita]


    Ingredientes:
    1 kg de inhame
    4 xícaras (chá) de leite
    4 colheres (sopa) de manteiga
    Sal a gosto
    Salsa picada a gosto [não usei]

    Descasque e cozinhe na água os inhames até ficarem bem macios. Escorra-os e, ainda quentes, passe no espremedor. Em uma panela, coloque o inhame, o leite, a manteiga e o sal. Cozinhe por 4 minutos, mexendo sem parar. Salpique a salsa e sirva com o picadinho.