Rss Feed
  1. Julie & Julia ou Fazendo o que se gosta

    domingo, 27 de outubro de 2013


    Título: Julie & Julia
    Título original: Julie & Julia
    Autora: Julie Powell
    Tradutor: Alexandre Hubner
    Editora: Conrad
    Número de páginas: 344
    Publicação no Brasil: 2007
    Outras edições:
     Edição da Editora Record, de 2010


     Edição Back Bay Books, de 2005

    ***

    Há alguns meses vi o filme "Julie & Julia'', gostei, e quis ler o livro, pois, teoricamente, os livros em que os filmes são baseados costumam ser (ainda) melhores que os filmes.
    Antes de falar da história do filme/livro, queria comentar sobre as edições: primeiro comprei a edição da Editora Record, mas depois vi que havia uma edição da Editora Conrad, mais antiga, que tem uma capa linda (!), feita pelo Jonathan Yamakami, e comprei também. Depois encontrei a edição em inglês. Comecei a ler as três e ia comparando as traduções. Posso dizer que gosto um pouco mais da tradução publicada pela Record, feita pela Alice França, mas, depois de um tempo, acabei lendo só a edição da Conrad mesmo (estava muito demorado ler as três versões e comparar - e eu adorava olhar aquela capa vermelha ao fechar o livro...).

    Julie & Julia foi escrito a partir de um blog que Julie Powell criou no início dos anos 2000, em que ela contava sobre o seu projeto: fazer 524 receitas do livro Mastering the Art of French Cooking, escrito por Julia Child, chef americana conhecida por popularizar a culinária francesa nos Estados Unidos nos anos 1960.

    Julia Child

    Ao que parece, Julie estava um entediada com o trabalho como secretária em uma repartição pública em Nova York e precisava de algo que a motivasse, então, seu marido, Eric, fez algumas sugestões, entre elas, escrever um blog. Ela então pensou sobre o que poderia escrever no tal blog e decidiu que, como gostava de cozinhar, talvez seria interessante fazer as receitas contidas no livro de Julia Child, que ela havia sorrateiramente trazido da casa de sua mãe, e relatar essas experiências. Foi mais ou menos assim que começou o projeto Julie/Julia.

    Julia Child também parece ter ido estudar gastronomia na tradicional escola Le Cordon Bleu, em Paris, por estar entediada e não saber o que fazer enquanto seu marido, Paul, trabalhava, no fim dos anos 1940/início dos anos 1950. Como o marido apreciava boas comidas e bebidas, talvez o interesse por preparar pratos sofisticados tenha surgido daí.

    Julie vai mesclando fragmentos de sua autobiografia, incluindo lembranças, o marido, a família, os amigos, o trabalho maçante, detalhes (em sua maior parte fictícios) sobre Julia Child e o preparo de receitas francesas. Em alguns pontos é um pouco monótono, pois ela detalha demais, como, por exemplo, quando ela conta que, aos 11, via uma revista pornográfica dos pais escondida, quando eles saíam, e que associou o livro da Julia Child da mãe à revista quando o viu, porque os nomes das receitas lhe pareciam meio "pornográficas". O prazer sexual e o prazer da comida são prazeres distintos, mas que, de certa forma, se aproximam. Às vezes ela comenta bastante sobre a vida de alguns amigos e parece fugir um pouco do foco do livro - como a história de uma amiga que estava flertando com um homem casado e muito mais velho.

    Julie cozinha depois do trabalho e nos finais de semana, o que faz com que ela fique bastante cansada e que provavelmente gerou um desgaste no relacionamento. Há receitas que dão certo (sopa parmentier), outras que dão errado (boeuf bourguignon) e outras que, apesar de ela e seus leitores odiarem, ela insiste em fazer (aspic - um tipo de comida que é envolvida por um tipo de gelatina), para cumprir a meta do projeto.

    O blog tem um público cada vez maior e acaba chamando a atenção de algumas pessoas da mídia, que começam a querer entrevistá-la e, assim, o blog ganha ainda mais notoriedade, até que ela é convidada a publicar um livro. A súbita fama permite que ela deixe o emprego na repartição pública para se dedicar à escrita.

    O livro não é ruim, mas também não é surpreendentemente bom. Fica no meio-termo. É um bom entretenimento para amantes de culinária/gastronomia, mas leitores um pouco mais exigentes podem não gostar, nesse caso, recomendo apenas o divertido filme, com a ótima Meryl Streep, que me deu à Julia Child um ar mais simpático do que ela parecia ter. O fato de a Julia Child ter dito que antipatizava com o blog/projeto da Julie Powell e que não queria ninguém "ganhando dinheiro com o nome dela" me deixou uma impressão meio negativa da Julia, porque interpreto o que a Julie fez como uma homenagem.

    Abaixo, um vídeo da Julia Child preparando o boeuf bourguignon:



    Neste link dá para ler o blog do The Julie/Julia Project Blog, que não tive paciência de ler, embora deve ter sido muito bacana acompanhar o blog na época em que era escrito.

    Inspirada pelo livro, fiz Foie de veau au champignon et à la crème fraîche (fígado de vitela com champignon e creme de leite fresco - mas não usei fígado de vitela, usei fígado comum).

    ***

     Foie de veau au champignon et à la crème fraîche 
    (Fígado de vitela com champignon e creme de leite fresco)

    Receita adaptada daqui.


    Ingredientes:

    500 g de fígado bovino
    5 dentes de alho
    1 cebola pequena
    champignons
    5 colheres de creme de leite fresco
    um pouco de vinho branco
    sal e orégano a gosto
    azeite de oliva para fritar

    Modo de preparo:

    Picar a cebola e o alho e fritar no azeite. 


    Cortar o fígado em cubos e fritar. Acrescentar um pouco de vinho branco, o sal e o orégano.


    Depois, acrescentar o champignon cortado e o creme de leite e mexer até o creme de leite começar a ferver. Desligar o fogo.


    Os acompanhamentos podem ser arroz branco ou batata sauté e salada.


    Depois quero tentar fazer o famoso boeuf borguignon!

    Obs: com o restante do frasco de creme de leite fresco é possível fazer chantilly, bastando bater o creme de leite com quatro colheres de sopa de açúcar com o fouet até dar o ponto. Fica uma delícia.



  2. A árvore generosa

    domingo, 29 de setembro de 2013


    Título: A árvore generosa
    Título original: The Giving Tree
    Autor: Shel Silverstein
    Tradutor: Fernando Sabino
    Editora: CosacNaify
    Número de páginas: 60
    Publicação no Brasil: 2006
    ***
    Esse comovente livro supostamente direcionado ao público "infantojuvenil" me foi apresentado pela amiga Sol Yokoi quando nos encontramos pela primeira vez, se não me engano, em 2009. Nos falávamos virtualmente e, quando fomos nos encontrar pessoalmente, ela me levou para a Livraria da Vila, onde ela havia trabalhado antes de ir para uma editora. Ficamos mais na sessão de livros infantojuvenis da loja e ela me apresentou vários outros livros incríveis. Então este post é uma homenagem a ela.

    O livro A árvore generosa foi escrito pelo poeta, escritor de livros infantis, letrista e cartunista Shel Silverstein [Sheldon Allan Silverstein] (1930-1999) e publicado originalmente em 1964 pela editora Harper & Row - atualmente HarperCollins - depois de várias recusas de outros editores, que afirmavam que o livro era muito triste, que ficava entre a literatura infantil e a adulta e que não venderia, que a história era muito curta. Às vezes os editores erram feio: este é o livro mais conhecido de Shel e foi traduzido para 30 idiomas. 

    Shel Silverstein (foto tirada daqui)

    Shel Silverstein se divertindo com as crianças (foto tirada daqui)

    Shel contou em uma entrevista que, quando criança, queria ter sido um talentoso jogador de beisebol e ter feito sucesso com as garotas, mas, como não sabia jogar nem dançar, começou a escrever e desenhar.

    A árvore generosa foi seu segundo livro a ser publicado (depois de Leocádio, o leão que mandava bala [Lafcadio, the Lion Who Shot Back]) e traz a história de uma árvore, uma macieira, que amava um menino. Ela o amou desde quando ele era criança até que ele ficasse velho, dando-lhe tudo o que podia. Uma leitura possível é a árvore representando os pais, que sempre querem dar tudo que podem aos filhos e continuam amando-os para sempre; outra leitura é a de que nós, como seres humanos, esgotamos o que a natureza oferece do momento em que nascemos até o fim da vida. Há, ainda, várias outras leituras possíveis. De qualquer forma, a história é triste, mas bonita.

    Abaixo, o vídeo de animação do livro inteiro narrado pelo autor:



    Shel faleceu em 10 de maio de 1999 de ataque cardíaco.

    Curiosamente, em um de seus livros, há esse verso:

          WHEN I AM GONE
           When I am gone what will you do?
           Who will write and draw for you?
           Someone smarter — someone new?
           Someone better — maybe YOU!

    [tradução minha abaixo]
       
             QUANDO EU ME FOR
             Quando eu me for, o que você vai fazer?
             Quem vai escrever e desenhar para você?
             Alguém mais esperto — alguém novo?
             Alguém melhor — quem sabe VOCÊ!
     
    Site oficial: http://www.shelsilverstein.com/
    ***

    STRUDEL DE MAÇÃ

    Receita tipicamente alemã. A massa também pode ser feita com massa folhada comprada pronta (da próxima vez, usarei esse tipo de massa!).


    Ingredientes:

    Massa:
    350 g de farinha de trigo
    25 g (1 colher de sopa) de manteiga ou margarina
    1 ovo
    1 gema para pincelar
    30 g de açúcar
    1 xícara de água
    gotas de vinagre (usei gotas de suco de limão)

    Recheio:
    6 maçãs (usei as da Turma da Mônica, que vêm em um pacote, acho que o tipo é gala)
    2 colheres de farinha de rosca
    5 colheres (sopa) de açúcar
    2 colheres de sopa de manteiga ou margarina
    60 g de uva passa sem semente
    60 g de nozes moída 
    1 colher (sopa) rasa de canela em pó
    açúcar de confeiteiro para polvilhar

    Modo de preparo:

    Massa:

    Ferva a água e a manteiga (ou margarina). Em uma vasilha, coloque metade da farinha peneirada, o ovo, o açúcar e as gotas de vinagre (ou suco de limão) e misture. Depois, acrescente a água com a manteiga e misture. Acrescente o restante da farinha e, se precisar, acrescente mais, até dar o ponto, quando a massa não grudar mais nas mãos.


    Cubra a massa e deixe descansar por pelo menos uma hora.

    Enquanto isso, prepare o recheio.

    Recheio:
    Descasque as maçãs e rale-as na parte mais grossa (com os buracos maiores) do ralador.



    Retire o excesso de água espremendo as maçãs raladas com as mãos.


    Acrescente a farinha de rosca (para absorver um pouco mais a água das maçãs raladas), o açúcar, as uvas passas, as nozes moídas, a manteiga e a canela. 


    Misture tudo.


    Montagem:
    Forre a superfície da mesa ou pia com papel filme. Reparta a massa ao meio e abra-a com um rolo, de forma que ela fique bem fina:


    Cubra a massa com metade do recheio, espalhando-o bem.




    Com a ajuda do papel filme, enrole a massa.



    Unte a forma com manteiga ou margarina e coloque o strudel.

    Pincele a gema. (Pincelei a manteiga e depois a gema, mas imagino que apenas a gema é suficiente.)



    Repita o procedimento para o restante da massa e do recheio.


     Coloque no forno médio pré-aquecido por aproximadamente uma hora.


    Espere esfriar a polvilhe o açúcar de confeiteiro.



    Pode ser servido com uma bola de sorvete de creme ou com chantilly.



  3. Sob o sol da Toscana

    quinta-feira, 29 de agosto de 2013


    Título: Sob o sol da Toscana
    Título original: Under the Tuscan Sun - at Home in Italy
    Autora: Frances Mayes
    Tradutora: Waldéa Barcellos
    Editora: L&PM em acordo de parceria com a Rocco
    Número de páginas: 302
    Publicação no Brasil: agosto de 2008 / reimpressão de julho de 2012

    ***

    Há vários anos vi o filme Sob o sol da Toscana, lançado em 2003, e não gostei. Mas apenas recentemente me dei conta de que o filme era uma adaptação homônima do livro escrito pela americana Frances Mayes em 1997, soube que ela gosta muito de cozinhar e aprendeu a fazer vários pratos toscanos, o que não fica tão evidente no filme, então decidi ler o livro, porque livros, em geral, são melhores que as adaptações para o cinema.


    Apesar de o livro não seguir a linha "boba-romântica" do filme, também não achei nada de mais. Como meu nível de expectativa estava alto, fiquei um pouco decepcionada. Na verdade, o livro não tem história com começo, meio e fim, é um recorte autobiográfico da autora durante algumas temporadas na Itália, contando sobre o processo de compra e reforma de uma villa chamada Bramasole ("ansiar pelo sol"), em Cortona, na região da Toscana.

     Mapa da Itália destacando a região da Toscana (retirado daqui)


     Mapa com "zoom" na região da Toscana; Cortona à direita (mapa retirado daqui)

    No livro, Frances aparentemente já havia se divorciado e estava com um novo companheiro, Ed, que, como ela, na época também era professor universitário em São Francisco, nos Estados Unidos. (No filme, mais ou menos por um acaso do destino, ela vai para a Itália para se recuperar do divórcio e, talvez, encontrar um novo amor e um novo rumo para a própria vida.) Depois de uma certa dificuldade com a burocracia italiana, ela compra Bramasole e, como a casa tem cerca de duzentos anos, ela, Ed e vários pedreiros precisam reformá-la.

    Senti o impulso de examinar a minha vida numa outra cultura e ir além do que eu conhecia. Eu queria uma espécie de dimensão física que ocupasse o volume mental ocupado pelos anos da minha vida anterior.


     Frances Mayes

    Abaixo seguem algumas fotos de Bramasole, retiradas do site da autora:


    Existe uma vida nos lugares antigos, e nós sempre estamos de passagem.


    Talvez para quem já construiu ou reformou uma casa seja interessante o fato de a autora descrever todo o exaustivo e interminável trabalho com a reforma, além dos gastos, mas, para mim, essas partes eram as mais entediantes.

    Apreciei ler sobre várias comidas italianas que ela comia em restaurantes da região ou que ela mesma preparava. Por já ter sofrido com escassez de comida, a culinária toscana também é conhecida como "cucina povera" (culinária pobre) e, em geral, é composta por pratos simples, preparados com ingredientes frescos da época. Há muitas receitas com pães, como a bruschetta (fatias de pão com azeite e algum tipo de cobertura, como tomate picadinho e manjericão que vão ao forno - preparei bruschetta de escarola com queijo pecorino, feito com leite de ovelha, e ficaram boas!). Os trechos em que ela fazia comentários sobre a cultura italiana, em contraste com a cultura norte-americana, também me chamavam a atenção. Fiquei com a impressão de que os italianos, como os brasileiros, também têm um quê de malandragem e gostam de procedimentos burocráticos.

    Um detalhe interessante é que a autora inseriu vários termos em italiano ao longo do livro, mas depois vinha a tradução e/ou uma explicação. Para quem sabe ou estuda italiano, é legal, para quem não entende, talvez seja meio irritante. Além disso, o livro também traz algumas receitas de verão e outras de inverno. Inspirada pelo livro, decidi fazer a torta della nonna, porque, depois de descobrir que há pinoli (um tipo de minipinhão cujo pacotinho de 20g custa quase R$ 20 no Brasil!!) em seu terreno, a autora faz esse prato para o Signor Martini, corretor que cuidou dos trâmites da compra e reforma da casa e cuja mãe fazia essa torta para ele, mas não segui a receita que está no livro.

    De repente, diz que sua mãe morreu aos noventa e três anos de idade há alguns anos. - Nunca mais torta della nonna. - Está com um humor estranho hoje.

    Por último, gostaria de compartilhar esta passagem sobre lugares e pessoas:

    Os sulistas têm um gene, até o momento não detectado nas espirais do DNA, que faz com que acreditem que o lugar é o destino. Onde você está é quem você é. Quanto mais o lugar penetra em você, mais sua identidade fica entrelaçada com ele. Nunca fortuita, a escolha do lugar é a escolha de algo que a pessoa deseja ansiosamente.

    ***
     
    Torta della nonna

    "Um dos prazeres da culinária consiste em, de vez em quando, aprender tudo de novo." 


    Por causa do preço, pensei em substituir os pinoli por amêndoa ou castanha moída, mas queria que o prato fosse preparado da forma típica, então paguei quase R$ 20 nesse pacotinho de 20g no Pão de Açúcar:


    Achei que tem gosto de castanha-do-pará com azeite - gostei! Mas acredito que a substituição por amêndoa ou castanha moída também ficaria muito boa.
    A receita original está neste site italiano. Abaixo, a minha tradução/adaptação:

    Ingredientes:

    Massa:
    250 g de farinha
    120 g de açúcar
    100 g de manteiga
    1 ovo
    1 colher (café) de fermento em pó
    casca de limão ralada
    um pouco de sal

    Creme:
    250 ml de leite
    3 colheres (sopa) de açúcar
    1 1/2 colher (sopa) de farinha de trigo peneirada
    1 ovo pequeno
    casca de limão ralada

    Toque final:
    pinoli
    açúcar de confeiteiro

    Modo de preparo:
    Massa:
    Faça um "vulcão" com a farinha, corte a manteiga em pedaços pequenos. Com a ponta dos dedos, misture a farinha e a manteiga até obter um farelo granuloso.


    Depois, junte o açúcar, o fermento e misture tudo.

    A seguir, misture a casca de limão ralada, o ovo e sove rapidamente.

    Casca de limão ralada; a casa inteira ficou perfumada e, com os limões, fiz uma limonada!


    Cubra a massa com papel filme e deixe na geladeira por pelo menos meia hora.

    Creme:

    Em uma panela, misture a farinha com o açúcar, depois, acrescente o ovo e, com uma colher de pau, misture tudo até obter um creme liso.


    Adicione aos poucos o leite frio, sempre mexendo, para que não empelote. Então, acrescente a casca de limão ralada e cozinhe em fogo médio/baixo.


    Deixe ferver por 2 ou 3 minutos; o creme deve engrossar.


    Cubra e deixe esfriar.


    Montagem:
    Divida a massa em 2/3 e 1/3.
    Abra a os 2/3 da massa com um rolo e estenda na forma de 22 cm de diâmetro untada e enfarinhada [não untei, pois na massa vai muita manteiga e usei forma com borda removível]; as bordas devem ficar altas.

     Abri a massa sobre o plástico filme para facilitar a transferência para a forma

    Cubra com o creme.


    Estenda o restante da massa sobre o creme, dobrando e selando as bordas.
     
    Depois disso, cubra com pinoli, pressionando um pouco com a mão para que eles se fixem.


    Coloque no forno a 170ºC por aproximadamente 40 minutos na prateleira inferior.


     Depois de assado, deixe esfriar e, com uma peneira, polvilhe açúcar de confeiteiro.




    NHAM! :)


  4. O Clube do Picadinho

    domingo, 28 de julho de 2013


    Título: O Clube dos Anjos
    Autor: Luis Fernando Verissimo
    Editora: Objetiva
    Número de páginas: 130
    Ano de publicação: 1998
    ***

    O Clube dos Anjos faz parte da coleção Plenos Pecados, publicada pela Editora Objetiva entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, e cada volume aborda um pecado capital, sendo que o Verissimo foi incumbido de escrever uma história em torno da gula, meu pecado favorito.

    Livros da série Pecados Capitais

    O livro é escrito pelo narrador-personagem Daniel, único sobrevivente dessa história de suspense e humor e, logo nas primeiras páginas, já tenta convencer o leitor de que é inocente.

    Daniel namora Lívia, nutricionista e psicóloga, que não gosta muito dos amigos do namorado que fazem parte "Clube do Picadinho", cujos integrantes têm a mesma idade, são mais ou menos ricos e se reúnem para comer e beber. Lívia tentará convencer o namorado a parar com os jantares mensais quando descobre que os integrantes estão morrendo.

    Minha namorada, a coitada da Lívia, sempre diz que eu nunca sei de quanto espaço preciso, e que isso vem de uma infância de gordo mimado. Algo a ver com ser um filho único que nunca conheceu limites. A coitada da Lívia é psicóloga e nutricionista, há anos tenta me salvar.

    O "Clube do Picadinho", formado por dez amigos com nomes bíblicos (Samuel, Ramos, Pedro, Paulo, Saulo, Marcos, Tiago, João, Abel e Daniel), era uma homenagem ao picadinho que comiam no bar do Alberi. O número de componentes do grupo era sempre dez; quando Ramos, o fundador do clube, morreu de Aids, André o substituiu.

    De reuniões quase diárias no bar do Alberi, na adolescência, e do picadinho de carne com farofa de ovo e banana frita do Alberi que durante anos definiu o nosso gosto culinário, tínhamos progredido para jantares semanais em restaurantes diferentes, depois para reuniões mensais na casa de cada um.

    Daniel e Lucídio se conhecem "por acaso" em uma importadora de vinhos em um shopping e, por alguma razão, os dois vão tomar café e conversar. Nessa conversa, Daniel conta sobre o Clube do Picadinho e Lucídio o ouve com atenção, além de contar que faz parte de uma sociedade secreta que se reúne uma vez por ano no Japão para comer fugu, um peixe venenoso que pode matar se não for preparado com o devido cuidado. Essa história desperta o interesse e a simpatia de Daniel.

    Quando fica sabendo que Daniel será o próximo anfitrião a oferecer o jantar do Clube do Picadinho, Lucídio se oferece para ajudá-lo. Combinam que o prato a ser oferecido será boeuf bourguignon, um dos pratos que Lucídio aprendera a fazer quando morou em Paris, o preferido de Abel. 

    No dia do jantar, depois dos canapés e dos fundos de alcachofra, foi servido o boeuf bourguignon preparado por Lucídio, o que foi apreciado e elogiado por todos, especialmente Abel, que não recusou a última porção oferecida pelo cozinheiro. 

    - Eu só quero dizer uma coisa, Daniel. Sobre o seu jantar.
    Ficamos na expectativa. Abel enfatizou bem cada palavra.
    - Puta que os pariu!
    Todos aplaudiram. [...]

    Foi o último discurso que Abel fez, pois morreu naquela mesma noite.

    Lucídio continuou preparando os pratos dos jantares seguintes (paella, canard à l'orange, quiches, blanquette de veau, suflês, crepes com caviar...) e sempre um integrante do clube morria. Era sempre o que pedia a última porção que sobrava.

    O fim é rocambólico e eu não gostei muito. Talvez por ter sido um livro encomendado o Verissimo não conseguiu fechar de um jeito mais criativo ou talvez porque finais de livros de suspense humorístico não precisem ter muita coerência e nem ser verossímil mesmo.

    O mais engraçado do livro é que, mesmo desconfiando de que estavam sendo envenenados, os integrantes do Clube não queriam abrir mão dos jantares. Queriam ter o prazer de comer e beber bem, mesmo que fosse a última vez.

    Segundo Francine Prose (Gula, Coleção Sete Pecados Capitais, Editora Arx, 2004), a gula e a luxúria eram considerados pecados pela Igreja, pois estavam associados a prazeres dos sentidos - era aceitável comer para alimentar o corpo e fazer sexo para procriar, mas essas atividades não deveriam envolver prazer.

    Também havia a crença de que a gula poderia incitar os fiéis a cometerem os demais pecados, por isso, deveria ser evitada.

    A indulgência excessiva era convite fácil à luxúria, ira e preguiça. Em outras palavras, as seis filhas surgem em nosso comportamento quando estamos embriagados ou recheados de comida, quando comemos tanto que atingimos um estado de consciência - ou inconsciência - no qual paramos de pensar racionalmente e começamos a agir de maneiras que parecem melhor vistas do interior que do exterior. (Prose; p. 24-25)

    Para finalizar, uma curiosidade: a fim de contrapor os sete pecados, os teólogos cristãos classificaram as Sete Virtudes Celestiais - as cardinais: Prudência, Temperança, Justiça, Coragem, e as teológicas: Fé, Esperança e Caridade.

    Os outros seis títulos que compõem a Coleção Plenos Pecados são:

    Mal Secreto, de Zuenir Ventura (Inveja)
    Xadrez, Truco e outras Guerras, de José Roberto Torero (Ira)
    A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro (Luxúria)
    Canoas e Marolas, de João Gilberto Noll (Preguiça)
    Terapia, de Ariel Dorfman (Avareza)
    Voo da Rainha, de Tomás Eloy Martínez (Soberba)

    ***

    Picadinho de carne com legumes e purê de inhame

    Preparei essa receita em homenagem ao passado dos integrantes do Clube do Picadinho. Mas substituí a farofa de ovo e a banana frita por um purê de inhame.
    As receitas foram tiradas daqui.


    Picadinho

    Ingredientes:
    3 colheres (sopa) de óleo
    1 cebola picada
    600 g de carne cortada em cubos bem pequenos [não sei a diferença entre as carnes, mas usei coxão mole, pois vi em um site que era uma das carnes ideais para esse prato; outra opção é o acém]
    150 g de vagem picada
    1 cenoura grande picada
    1 lata de milho escorrida [usei meia lata]
    ½ xícara (chá) de caldo de carne
    Sal e pimenta a gosto
    Salsa picada a gosto [não usei]

    Modo de preparo:
    Em uma panela, aqueça o óleo e doure a cebola. Junte a carne e mexa sem parar, até dourar. 



    Acrescente a vagem, a cenoura, o milho e deixe refogar por 2 minutos, mexendo sempre para não grudar. Acrescente o caldo de carne, se necessário o sal, a pimenta e deixe cozinhar no fogo brando, com a panela tampada, até a carne e os legumes ficarem macios.


    Purê
    [fiz metade dessa receita]


    Ingredientes:
    1 kg de inhame
    4 xícaras (chá) de leite
    4 colheres (sopa) de manteiga
    Sal a gosto
    Salsa picada a gosto [não usei]

    Descasque e cozinhe na água os inhames até ficarem bem macios. Escorra-os e, ainda quentes, passe no espremedor. Em uma panela, coloque o inhame, o leite, a manteiga e o sal. Cozinhe por 4 minutos, mexendo sem parar. Salpique a salsa e sirva com o picadinho.